domingo, 23 de julho de 2017

Mini-resenha: livro "RoomHate" ("Amor Imenso"), Penelope Ward

 Olá pessoal, tudo bom? Resolvi fazer algumas pequenas resenhas sobre livros (bons) que já li mas que por algum motivo não resenhei no blog: por ter lido em e-book, por ter lido no Wattpad, por ter pego emprestado e devolvido antes de resenhar, por não estarem mais disponíveis para venda... Seria uma maldade falar sobre um livro e fazer vocês ficarem interessados nele e vocês simplesmente não conseguirem encontrá-lo para matar a curiosidade de lê-lo, né?! Alguns deles eu já havia feito um pequeno comentário no Skoob, mas acho válido trazer também para o blog, pois pode ter leitores que ainda não conheçam esse livros e possam gostar das sugestões de leitura.

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 Começarei por "RoomHate", escrito pela Penelope Ward e publicado no exterior em 2016. Quando li a obra, ano passado, nem imaginava que o selo Essência da editora Planeta iria publicá-la no Brasil em 2017, com o título de "Amor Imenso".

 A história é protagonizada por Amelia e Justin. Quando Amelia foi passar um tempo na casa da avó, ela conheceu um garoto que morava na vizinhança, o Justin. Com o tempo, os dois se tornaram melhores amigos, até que na adolescência aconteceu algo e eles se afastaram.

 Anos depois, Amelia herdou a casa da avó, mas o problema é que ela não era a única herdeira. Como Justin era muito querido pela vó da Amelia, a senhora deixou metade da casa para ele também. E parece que nenhum dos dois quer abrir mão da sua parte na casa. E se não bastasse o fato de Amelia não estar passando por um momento muito fácil em sua vida pessoal, ela ainda teria que conviver com Justin, que não veio sozinho, mas com uma namorada, e parecia não querer retomar a antiga amizade. Será que os dois se tornariam inimigos na disputa pela casa?

 Esse é o ponto de partida da trama. Duas pessoas que eram muito amigas no passado, mas cresceram, seguiram caminhos diferentes. Além de um ressentimento pela forma como se separaram anos antes, sempre houve um clima de romance entre eles. E o livro é um romance romântico, só que são tantos obstáculos, mas tantos obstáculos, que o caminho para o final feliz se torna bem longo, o que para mim, que procurava uma leitura mais clichê e leve, quase ficou um pouquinho cansativo. Além disso, a história se passa num período longo de tempo, e eu prefiro tramas que se desenvolvem num espaço menor.
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 Por outro lado, ninguém pode reclamar que o relacionamento vai rápido demais. E os desdobramentos tornam a trama mais próxima da realidade, mais crível. Falando sobre um dos obstáculos, por exemplo, o Justin tem uma namorada bacana e é um homem fiel, como a Amelia poderia ter algumas esperança de ficar com ele se havia essa namorada?

 O título nacional combina bastante com a trama, com o tamanho do amor que cresceu entre os personagens, um amor imenso. Por outro lado, o título original faz uma brincadeira com a expressão colega de quarto (roommate) com as palavras quarto (room) e ódio (hate), que é o sentimento que parece predominar no Justin quando ele e a Amelia se reencontram. A capa nacional é bem semelhante à capa estrangeira.

 Detalhes (da edição nacional): 272 páginas, ISBN-13: 9788542209341, Skoob. Onde comprar online: Amazon, Saraiva.

 Por hoje é só, fica a recomendação de leitura para quem curte romances e new adult, especialmente aqueles em que os protagonistas já se conhecem há muitos anos. Essa é uma resenha não tão aprofundada, mas além de me contar se já leram ou conheciam o livro, digam nos comentários se queriam algo a mais na resenha, se sentiram falta de alguma coisa. Lembrando que a ideia é sempre fazer posts do tipo apenas com livros bons, que eu gostei. Até o próximo post.


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sábado, 22 de julho de 2017

Resenha: livro "Dez Contos Escolhidos de Eça de Queirós"

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "Dez Contos Escolhidos de Eça de Queirós", antologia organizada por Mário Feijó e que, como o próprio nome já diz, traz dez contos escrito pelo autor português Eça de Queirós. O livro foi lançado em 2017 pela José Olympio (Grupo Editorial Record).

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Um pouco sobre cada conto:

 A obra se inicia com as trinta e sete páginas de "Singularidades de uma rapariga loura", onde conheceremos Macário, um rapaz que trabalhava com o tio, e se encantou pela nova vizinha. Para que pudesse se casar com ela, ele teria que batalhar muito. Porém, essa rapariga loura tinha uma "mania" inadequada, que eu previ logo na primeira vez que se manifestou, mas com a qual Macário não quis lidar. Eu acho que a história dos dois não precisava ter terminado da forma que terminou, se Macário sentisse mesmo um amor tão grande por ela. Se bem que, o que hoje sabemos que é uma doença ou distúrbio, no século dezenove não era visto da mesma forma.

 "Existe, no fundo de cada um de nós, é certo, - tão friamente educados que sejamos -, um resto de misticismo; e basta às vezes uma paisagem soturna, o velho muro de um cemitério, um ermo ascético, as emolientes brancuras de um luar, para que esse fundo místico suba, se alargue como um nevoeiro, encha a alma, a sensação e a ideia, e fique assim o mais matemático, ou o mais crítico, tão triste, tão visionário, tão idealista - como um velho monge poeta." (página 10)

 O segundo texto é "O defunto", 43 páginas, onde voltamos ao século quinze para conhecer a história  de D. Rui, um rapaz que se encantou por D. Leonor. O problema é que ela era casada com o Senhor de Lara, um homem tão ciumento, mas tão ciumento, que o único momento em que a esposa podia sair de casa era para ir à Igreja aos domingos, por insistência do padre, e mesmo assim o marido ainda ficava espiando os passos da esposa pela janela. Claro que ele reparou em D. Rui olhando para sua esposa. E o Senhor de Lara seria tão corroído pelo ciúme, que prepararia uma emboscada para D. Rui, mas como o rapaz e também Eleonor eram muito devotos, aconteceria algo inimaginável!

 Imagine andar a cavalo com um morto-vivo na garupa! Acho que não vou esquecer dessa história tão cedo, pois não esperava encontrar um conto de terror (ou de ficção fantástica com um toque sombrio) entre os escritos do Eça de Queirós.

"– Que me queres?
O enforcado, suspirando, murmurou:
– Senhor, fazei-me a grande mercê de me cortar esta corda em que estou pendurado.
D. Rui arrancou a espada, e de um golpe certo cortou a corda meio apodrecida. Com um sinistro som de ossos entrechocados o corpo caiu no chão, onde jazeu um momento, estirado. Mas, imediatamente, se endireitou sobre os pés mal seguros e ainda dormentes – e ergueu para D. Rui uma face morta, que era uma caveira com a pele muito colada, e mais amarela que a Lua que nela batia. Os olhos não tinham movimento nem brilho. Ambos os beiços se lhe arreganhavam num sorrido empedernido. De entre os dentes, muito brancos, surdia uma ponta de língua muito negra. "(páginas 70 e 71)

 O terceiro conta fala sobre José Matias, outro caso de amor proibido, já que a mulher por quem ele se apaixonou era casada. Porém, o tempo passou e esse amor dos dois pudesse ter se concretizado, mas José Matias preferia esse amor platônico, que não sofre com a rotina do dia-a-dia mas que, creio eu, também não possa trazer a felicidade.

 "Já, porém, no tempo de Aristóteles, se afirmava que amor e fumo não se escondem; e do nosso cerrado José Matias o amor começou logo a escapar, como o fumo leve através das fendas invisíveis de uma casa bem fechada que arde terrivelmente." (página 94)

 Com menos de dez páginas, "A aia" é o menor dos contos, e fala sobre o sacrifício que uma mulher, uma aia, foi capaz de fazer por sua senhora, a rainha, e seu reino. Em "Um dia de chuva", um rapaz vai conhecer uma propriedade que desejava comprar, mas como estava chovendo, ele teve que aumentar seu tempo de estadia na propriedade, e acabou se interessando por outra coisa além da casa.

 "Frei Genebro" era um religioso que queria seguir os paços de São Francisco de Assis, talvez até pudesse ter sido um santo, se não tivesse se esquecido que o amor e a caridade não deveriam ser feitos só para os humanos, mas para todos os seres da Terra. Quantas vezes nos esquecemos disso?! Ainda no campo religioso, temos "O suave milagre", história que se passa na época em que Jesus fazia seus primeiros milagres. Assim como hoje, muitos buscavam a cura vinda das mãos dele, mas esqueciam da humildade, da simplicidade e da pureza que facilitariam o recebimento das bençãos.

 Você se tornaria amigo de alguém que roubou um livro seu? O narrador de "Um poeta lírico" não ficou muito bravo com o gatuno, pelo contrário, passou algum tempo conversando com o rapaz e entendeu o motivo de alguém tão interessado pelo saber estar num trabalho braçal. Amor não correspondido! A vida tem dessas coisas. Foi o conto que menos me tocou.

 O penúltimo conto da obra é "No moinho", protagonizado por Maria da Piedade, uma mulher casada com um homem de saúde frágil e que também teve filhos adoentados. Ela era praticamente uma enfermeira em tempo integral, até que apareceu um visitante que a fez querer mais, que lhe mostrou que a vida poderia ser diferente, mas talvez ela tenha ido com muita sede ao pote. Eu é que não vou julgá-la!

 "Era como uma rajada de ar impregnado de todas as forças vivas da natureza, que atravessava, subitamente, a sua alcova abafada; e ela respirava-a deliciosamente..." (página 216)

 E a antologia termina com "Civilização", protagonizado por Jacinto, um homem que tinha acesso à todas as tecnologias da época. Eram máquinas e mecanismos para tudo o que se podia pensar! Até que ele foi obrigado a viver sem o conforto que essas tecnologias proporcionavam. O fato é que ele descobriu que a vida com simplicidade poderia ser muito agradável!

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 Minhas considerações gerais sobre a obra:

 A capa tem uma textura porosa, como se fosse um papelão, que eu achei interessante, mas me dá uma certo nervoso ao pensar que pode encher de poeira! As páginas são amareladas. A diagramação tem letras, margens e espaçamento de bom tamanho. A revisão está bem feita.

 Foi o meu primeiro contato com a escrita do autor (que também escreveu "Os Maias", "O primo Basílio" e "O Crime do Padre Amaro"). Todos os contos são interessantes, mas tem muitas palavras que não são mais usadas ou conhecidas nos dias atuais, o que torna a leitura mais lenta (imagine ter que ler com o dicionário do lado!).

 Eu estou acostumada a ler romances de época e conhecer um pouco dos costumes dos séculos passados, mas a maioria dos que leio se passam na Inglaterra, então, foi interessante vez como era o século dezenove em Portugal. Amores proibidos, religiosidade, costumes da época, aparatos tecnológicos, palavras (nem tão) novas, um toque de sobrenatural e, talvez, uma certa obsessão por personagens loiras é que vocês podem encontrar em "Dez Contos Escolhidos de Eça de Queirós". Eu recomendo a leitura, ainda que ela não seja tão fluida. Certamente algum dos contos irá ficar marcado na memória de cada leitor.

 Detalhes: 256 páginas, ISBN-13: 9788503013147, Skoob leia um trechoCompre online na Saraiva.

 Por hoje é só, espero que tenham gostado do post. Me contem: já leram algo do autor? Qual dos contos acharam mais interessantes?


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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Unboxing: comprinhas do Amazon Day

 Olá pessoal, tudo bem com vocês? Todo mundo já está participando do TOP COMENTARISTA do mês? Julho já está quase no fim, hein?! Hoje venho trazer um vídeo de unboxing, onde mostro os livros que comprei no Amazon Day, uma promoção de frete grátis na loja online Amazon. Eu fiz a compra no dia 11/07 e chegou ontem, dia 20. Como moro no interior de Minas, a entrega não é tão rápida como em cidades maiores. Eu queria muito gravar esse vídeo de unboxing, mas não consegui esperar até chegar em casa e acabei gravando meio no improviso e com um cenário nada a ver, relevem! Apertem o play:



 Os livros que eu comprei estavam na minha lista de desejados que monto no Skoob. Eu não queria comprar muito, pois tenho vários não lidos na estante, então fui comparando os preços e vendo, por exemplo, se o desejado era ou não fácil de conseguir em trocas no plus. O valor exato da compra ficou em R$63,90.

 E vocês, compraram algum livrinho no Amazon Day? Já conheciam algum dos que mostrei no vídeo? Qual devo ler e resenhar primeiro? Ah, participem do sorteio valendo o livro "Yaqui Delgado quer quebrar a sua cara" lá no canal.

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quinta-feira, 20 de julho de 2017

Resenha: livro “Contos de um Natal sem luz - Volume 3” (e meu segundo conto publicado)

 Olá pessoal, tudo bom com vocês? No post de hoje, venho falar sobre a antologia “Contos de um Natal sem luz – Volume 3”, organizada pela Rô Mierling e pelo Fernando Nunes, publicada em 2016 pelo Selo Antologias Brasileiras da Editora Illuminare.

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 A antologia é composta por 20 contos, cada um de um autor, entre eles, o meu conto “Eu nunca vou te abandonar”. Essa é o terceiro volume da antologia anual, em cada ano um grupo de autores diferente participou, mas a premissa e a ambientação é sempre a mesma: um conto sobre uma noite de Natal sem luz, que não foi uma noite feliz para os moradores de uma das 20 casas de Garden Rose, uma pequena vila no pé de uma montanha nevada nos Estados Unidos.

 Em 2016, apenas autores que já publicaram pela Illuminare participaram, e como eu tive um conto selecionado para a antologia “Tempos de Inocência – contos de uma infância feliz” resolvi tentar essa antologia também.

 Como já mencionei, o meu conto se chama “Eu nunca vou te abandonar”, e ficou com a casa 15. Ele é sobre a Julie, que abandonou sua vida em Nova York para cuidar da irmã caçula, a Beatrix, 15 anos mais nova, quando seus pais morreram. Até que, na véspera de Natal de 2022 (ano em que os contos deveriam se passar), aconteceu uma certa coisa com a Julie, mas promessa é promessa, e amor de irmão é amor de irmão. E só lendo para entender! O que posso dizer é que foi muito bom contar essa história, que foi criada especialmente para o concurso, e foi um ótimo exercício para a imaginação, visto que havia um cenário e uma época pré-definidos para montar a história, precisei pesquisar um pouco sobre as tradições natalinas e os nomes norte-americanos.

 O meu conto tem um final feliz, mas é uma das exceções da obra, pois alguns autores escreveram histórias realmente bem pesadas, de natais assustadores, enquanto outros foram bem tristes. Foi interessante perceber como há elementos em comum entre um conto e outro, como personagens com ligações com as forças armadas estadunidenses ou que fugiam da polícia norte-americana, além de personagens femininas denominadas “Sara” e suas variações.

 Destaco o conto “Bianco Natale”, do Nelson Bedim, que conta a história de um mafioso que resolve fazer uma surpresinha em sua decoração natalina.

 “As rosas, porém, tem espinhos. Em 2016, um sobressalto na política americana: Trump presidente! Instala-se um novo período de caça às bruxas. E as bruxas da vez são os mafiosos imigrantes de todos os matizes.” (página 43)

 “A ceia e a calçada”, do Flávio Karras, faz parte dos contos trágicos, ao falar sobre uma família já abalada por um natal passado, e quando estamos chegando ao final, dá aquela vontade de entrar no livro para impedir que a personagem faça determinada coisa. É desesperador!

 “Cheiro de coisa estragada”, escrito pela Melisas Ribeiro, é sobre um casal aparentemente tão unido, que até compartilhava os mesmo sonhos. Eles poderiam ter um bom Natal, se não fosse a chegada dos policiais para desfazer sua ilusão.

 Amélia Greier escreveu “O outro lado”, onde o Ryan, morador da casa 16, transportaria uma inusitada passageira. É um conto com elementos sobrenaturais, e que fala sobre suicídio. O personagem teria tomado uma decisão que eu consideraria ruim, se não houvesse as duas últimas frases.

 “- Kayleigh sofria muito, como você. Acabou decidindo vir para o outro lado. Foi o peso do Natal, a solidão, a desilusão, a desesperança.
 Ryan saboreou aquelas três palavras como se comungasse. Era exatamente aquilo que lhe destruía todos os dias, e o Natal fazia aqueles inimigos terem mais força.” (página 69)

 “A testemunha perfeita” do Bruno Nascimento é o último conto que destaco, uma história com uns personagens bem assustadores, e junto com eles, o senhor Ebenezer, que não conseguia fazer nada para dar um fim nas atrocidades cometidas pelos demais moradores da casa.

 Como eu nasci em 24 de dezembro, o Natal na minha família tem um significado diferente (acredito eu que não seja só para mim, mas para os meus familiares também), pois apesar de não fazermos comemorações natalinas, sempre há algo por causa do meu aniversário. Sendo assim, é difícil para mim ter uma visão ruim da data, mas conheço pessoas que ficam mais sensibilizadas nessa época do ano, e como li em “Conto de Natal” do Charles Diekens, e agora na antologia, é uma época em que devemos ter um olhar diferente para os que nos cercam e que talvez estejam precisando de um pequeno gesto para ter um pouco de luz no seu Natal.

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 A edição tem uma capa bonita, páginas amareladas, letras margens e espaçamento de bom tamanho. Acredito que devido ao pouco tempo que a antologia teve para ser produzida, alguns erros de revisão acabaram passando. E preciso comentar uma coisa: tem conto de morador da vila que sai matando os vizinhos, e eu, como escritora, me recuso a aceitar que alguém mate a Julie e a Beatrix, personagens que eu criei com tanto carinho! Ninguém vai matar meus personagens! Ainda mais depois de tudo o que elas já passaram naquela noite. Enfim, mas uma prova de como foi interessante essa obra criada em conjunto por tantos autores.

 “Contos de um Natal sem luz” faz jus ao nome. Leia preparado para conhecer histórias de natais muito tristes. Por hoje é só, espero que vocês tenham gostado do post. Eu estava pensando em publicar o meu conto no Wattpad, mas queria saber de vocês: leriam um conto com temática natalina mesmo não sendo época de Natal? Ou acham que devo esperar o próximo Natal se aproximar para liberar a história da Julie e da Beatrix?

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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Resenha premiada: livro "Yaqui Delgado quer quebrar a sua cara", Meg Medina

 Olá pessoal, tudo bem? Hoje venho comentar sobre minha experiência de leitura com o livro "Yaqui Delgado quer quebrar a sua cara", escrito pela estadunidense Meg Medina e publicado pela Intrínseca em 2015 (e tem sorteio de um exemplar).

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 Nossa narradora é Piedad Sanchez, uma garota de quinze, quase dezesseis anos, que morava nos Estados Unidos e era filha de uma mãe cubana. Ela não conhecia o pai, assunto proibido em casa. Tinha a exuberante Lila (amiga de sua mãe, ainda que a personalidade das duas fosse extremamente diferente) como uma grande amiga, além da tímida Mitzi, uma antiga vizinha que havia se mudado recentemente. Eis que Piddy (apelido de Piedad) e a mãe também se mudariam por causa das condições precárias do antigo prédio. Com uma casa nova, Piddy também teria que mudar para outra escola: a Daniel Jones, e seria lá que o tormento começaria.

 Na escola nova, Piddy receberia um recado dizendo que Yaqui Delgado queria quebrar a cara dela. Mas quem seria Yaqui e por qual motivo ela estaria brava com Piddy, se a garota nem sabia como era o rosto dessa tal de Yaqui?

 Piddy era sonhadora, ia bem nos estudos, gostava de dançar com Lila, até que se tornou alvo da maldade inexplicável de Yaqui, e foi tomada por um medo do qual não conseguia se livrar. Piddy não queria mais ir na escola, tinha vergonha do seu corpo e não conseguia confiar em ninguém para contar o que estava se passando na Daniel Jones: as ameaças constantes que estava recebendo e que abalavam seu psicológico. Piddy se revoltava com a mãe, que não sabia lidar direito com a filha deixando de ser criança, além da curiosidade que sentia por saber mais sobre o pai. Se revoltava com Mitzi que estava seguindo sua vida, fazendo novas amizades e mudando. E se revoltava também com os próprios colegas que tentavam ajudá-la, mas que também eram vítimas de bullying na escola.

 "Abro a água quente, tiro a roupa e fico me olhando no espelho por bastante tempo, um olhar atento e duro. Odeio minhas formas e curvas, que só me causaram problema até hoje. Se ter um corpo bonito é tão legal, por que fez da minha vida um inferno." (página 164)

 Onde essa história iria parar? Piddy conseguiria denunciar Yaqui? Isso adiantaria alguma coisa? Ou seria tarde demais e a vida da nossa narradora estaria destruída para sempre? Haveria um futuro para a garota fascinada por elefantes e que sonhava em trabalhar com animais?

 "Minhas mãos estão pesadas e úmidas. O relógio informa que faltam só sete minutos para bater o sinal: quase hora de ir para os corredores de novo, onde Yaqui pode estar à espreita." (página 41)

 "Yaqui Delgado quer quebrar a sua cara" é um livro curto em número de páginas, mas com personagens muito cativantes. É essencialmente uma história sobre bullying, sobre como o bullying pode destruir a vida de uma pessoa. É impossível ver Piddy sendo destruída e não ter vontade de fazer alguma coisa por ela, para ajudá-la. Mas fazer o quê?

 "Ano passado? Nem lembro direito. Era quando eu conseguia dormir à noite e sonhava com meus elefantes e com o Saara. Sentia em meus ossos o ritmo dos velhos discos de salsa. Ria com Mitzi e confabulava com ela sobre o que vestir. Agustín Sanchez era meu pai misterioso, uma figura sobre a qual eu queria saber mais. Agora não consigo andar sem baixar os olhos nem caminhar normalmente. Não tenho amigos. Nem meu próprio pai quis me conhecer. Se existe alguma forma de conseguir recuperar aquela garota sorridente, não estou conseguindo enxergar." (página 247)

 Acho que foram diversos fatores que contribuíram para que a protagonista conseguisse encontrar uma saída. Vou mencionar um que me tocou em especial: a antiga família vizinha de Piddy, pai, mãe e Joey, um garoto quase da idade dela. O pai de Joey agredia fisicamente a esposa, mas sempre que a polícia era chamada, a mulher dizia que estava tudo bem e dispensava os policiais. Até que um dia ela não pode falar, apanhou tanto que ficou desacordada. Não pode mentir para os policiais. E o marido finalmente foi preso. Piddy esperaria que Yaqui fosse tão longe que não tivesse mais volta? Eu acredito que quanto antes um problema for resolvido, melhor, menos estrago ele pode causar. Temos que interromper o ciclo da violência! Se Piddy tivesse parado as investidas de Yaqui logo no início como quis fazer, se tivesse buscado ajuda logo na primeira vez, enquanto não estava tão paralisada pelo medo, talvez a situação não tivesse se tornado tão extrema.

 Vou contar dois casos que aconteceram comigo: uma vez, na escola, surgiu um boato de que duas irmãs queriam brigar com o grupo de amigas do qual eu fazia parte, eu nem conhecia as duas ou imaginava um motivo para o desentendimento. Felizmente a história não foi para frente, e hoje uma dessas garotas, uma mulher e mãe agora, até me adicionou no Facebook. O segundo caso aconteceu com um garoto que vivia atrapalhando a aula de Ciências. Não me lembro de todos os detalhes, acho que ele jogou algo no professor enquanto ele estava de costas. O fato é que o professor queria saber quem tinha feito aquilo. Ninguém queria ser o dedo duro a falar. Eu falei. Falei por não aguentar mais aquele garoto atrapalhando a aula. Falei por não me importar se o garoto gostava de mim ou não, eu não precisava da aprovação ou da amizade dele. O garoto queria até me bater, mas não bateu. O fato é que ele sabia que eu não ia ficar calada assistindo a bagunça dele. Não sei se ele ainda se lembra desse fato, se lembra não demonstra ressentimento.

 "-Ela nem acha que você é uma pessoa. Na verdade, essa menina não acha que nem ela mesma é uma pessoa. Você é só a garota que cruzou o caminho dela. Não é pessoal. É como as coisas são onde ela mora. Ou você bate, ou você apanha.
 - E como é que você sabe tudo isso sobre Yaqui Delgado?
 Lila olha para mim e balança a cabeça.
 - Porque sempre tem uma Yaqui Delgado em toda escola, em todo lugar do mundo. Eu também esbarrei com algumas malditas no meu caminho." (página 231)

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 A Intrínseca fez um ótimo trabalho de edição: capa bonita e nesse tom de azul metalizado, páginas amareladas, bom tamanho de letras, margens e espaçamento, e boa revisão.

 Enfim, fica a sugestão de leitura para quem procura um livro sobre o estrago que o bullying pode causar, ainda mais em adolescentes que estão tentando aceitar as mudanças no corpo e a chegada da vida adulta.

 Detalhes: 272 páginas, ISBN-13: 9788580577150, Skoob. Compre online: Submarino, Saraiva.

 "Sinto como se por toda parte houvesse alguém fazendo bullying comigo ou com todos os outros." (página 67)

SORTEIO



 Postei no canal do blog um resumo dessa resenha, foi a segunda resenha em vídeo que gravei, e estarei sorteando o meu exemplar para um inscrito do canal. Confira as regras:
 1°- Se inscreva no canal, clique em "gostei" e deixe um comentário sobre a resenha no vídeo.
 2°- Preencha o formulário do Rafflecopter com seu e-mail para contato e nome de inscrito/comentarista.
 Após cumprir essas duas regras obrigatórias, aparecerão as extras/opcionais, que podem aumentar suas chances de ganhar. Aproveite-as!

 As inscrições começam em 19/07/2017 e vão até 19/08/2017. O resultado sairá em até uma semana após o término das inscrições. O sorteado será avisado por e-mail e terá até uma semana para responder ao e-mail enviado informando seu endereço para entrega ou o sorteio será refeito. O envio do livro será feito em até 30 dias. Não me responsabilizo por danos ou extravios dos Correios. É necessário ter endereço de entrega no Brasil.
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 Alguma dúvida? Boa sorte!

 Por hoje é só, espero que tenham gostado da resenha. Me contem: já conheciam o livro ou a autora?



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terça-feira, 18 de julho de 2017

Resenha: livro "A Montanha", Lori Lansens

 Olá pessoal, tudo bem? No post de hoje venho comentar sobre a minha experiência de leitura com o livro "A Montanha", escrito pela Lori Lansens e lançado no Brasil pela Editora Bertrand em 2017.

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 "Querido Daniel,
 Uma pessoa precisa ter vivido um tanto para apreciar uma história de sobrevivência. É o que eu sempre disse. Prometi a mim mesmo que, assim que tivesse idade suficiente, eu lhe contaria a minha. Não é uma história para crianças, mas você já não é mais uma. Já é mais velho do que eu era quando me perdi na floresta da montanha.
 Cinco dias no frio congelante sem comida, água ou abrigo. Essa parte você já sabe, além de que estive lá com três desconhecidas e que nem todas sobreviveram. O que aconteceu ali mudou a minha vida, Danny. Ouvir essa história mudará a sua." (página 07)

 Assim começa o livro, com Wilfred Truly finalmente contanto para seu filho Daniel, que está prestes a entrar na faculdade, uma história que Danny sempre quis saber: a história da montanha.

 "Para entender o que aconteceu na montanha, você precisa saber do que veio antes." (página 07)

 Wilfred, ou Wolf, como gostava de ser chamado, perdeu a mãe de forma trágica aos quatro anos de idade. Quando Wolf tinha 13 anos, seu pai, Frankie, disse que eles se mudariam do frio Michigan para a ensolarada Califórnia, para uma cidade (fictícia) chamada Santa Sophia, perto de Palm Spring, onde morava a tia Kriket.

 "Eu passava muito tempo na Biblioteca Pública de Mercury quando era pequeno. Frankie me mandava pegar livros ali como se o lugar fosse uma espécie de babá grátis." (página 14)

 Porém, quando chegaram lá, Wolf descobriu que iria morar na Vila de Lata, praticamente uma favela de trailers, numa casa já superlotada. E Frankie, que nunca havia sido muito próximo do filho, acabaria levando uma vida ainda mais desregrada. Mas nem tudo foi ruim, pois em Santa Sophia, Wolf conheceu Byrd, um garoto um ano mais velho que ele. Os dois faziam aniversário no mesmo dia. Rapidamente se tornaram melhores amigos.

 Uma das coisas que Wolf e Byrd mais gostavam de fazer era ir à Montanha. Depois de subir de teleférico, os dois exploravam o quanto podiam a região, achando lugares secretos e que não estavam nas trilhas oficiais (por terem que ser protegidos ou por serem perigosos). Era fantástico sair do calor desidratante de Santa Sophia e, em pouco tempo, encontrar a neve no topo da montanha.

 Mas Byrd sofreu um acidente, Frankie foi preso, junte a isso uma desilusão amorosa, e foi demais para Wolf. Sem mãe, sem pai, sem amigos, sem amor. No seu aniversário de dezoito anos, Wolf decidiu acabar com a própria vida. Ele subiria a Montanha, iria até um local perigoso e pularia do penhasco.

 Ele estava quase lá, quando encontrou três mulheres: uma viúva de cerca de sessenta anos chamada Nola, uma mulher na faixa dos quarenta anos cujo nome era Bridget, e Vonn, uma garota mais ou menos da idade de Wolf, meio rebelde. Sem conseguir se esconder delas, ele teve que adiar seu plano por algum tempo, porém, por causa da neblina, eles acabaram não encontrando o caminho de volta e se perderam na Montanha. Aí começa uma jornada pela sobrevivência, de onde nenhum dos quatro sairá da mesma forma. Se é Wolf quem escreve para o filho, sabemos que ele sai vivo dessa, mas nas primeiras linhas ele já avisa que alguém não conseguiu sobreviver. Quem foi? Para descobrir isso e todas as questões que esses personagens tão cativantes guardam, é preciso ler essa história, e eu amaria que vocês fizessem isso!

 Eu estava bem em dúvida sobre qual livro solicitar da parceria com o Grupo Editorial Record. Como já tinha solicitado dois livros escritos por homens, decidi solicitar esse por ser de autoria feminina, e também pelo fato de a sinopse me parecer interessante, já que me identifico com personagens deprimidos. E foi a melhor escolha que eu poderia ter feito!

 A escrita da autora já me cativou desde as primeiras linhas, eu conseguia ver o que ela contava, eu conseguia sentir a história, eu estava presa ao livro na ânsia de descobrir tudo sobre aqueles personagens.

 O que dizer de Wolf? Se eu tivesse passado por tudo o que ele passou, com a mãe, com o pai, com o amigo... Até que ponto eu aguentaria? O que eu disse na resenha é só um pouquinho do que ele passa, vocês não imaginam como essas tragédias na vida dele realmente aconteceram! Mas aí ele se vê perdido, com outras três mulheres, e ele não quer mais morrer, pela mãe, pelo amigo, por aquelas mulheres. Ele precisa tentar salvá-los, mesmo que pareça impossível. Cinco dias sem água, sem comida, com frio, com os perigos que os cercam. Imagine que você tem um ferimento e não tem medicamentos nem como fazer um curativo, e há urubus lhe rondando, só esperando que você sucumba ao frio e à fome, seria terrível, não?!

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 A capa traz uma imagem de ampulheta condizente com o cenário da história, com a parte de baixo sendo a areia de Santa Sophia e a parte de cima representando a Montanha, mas achei a capa da edição canadense (aí ao lado) muito mais bonita, com o cantil amarelo que faz parte da trama. A diagramação é simples, com letras, margens e espaçamento de bom tamanho, e encontrei poucos erros de revisão.

 Eu amei "A Montanha", amei cada segundo em que estive com o livro nas mãos, e pretendo relê-lo assim que puder. É uma daquelas história que vai crescendo a cada página. Para vocês terem uma ideia, a história termina na página 315, e até na 312 há uma revelação bombástica. Algumas vezes me peguei pensando se aquilo era realmente possível, mas aí a genialidade da autora brilhou novamente, pois está tudo conectado, da primeira à última linha. Leiam "A Montanha", no livro vocês encontrarão um pouco de tudo: amor, horror, humor, natureza, amizade, família, e talvez encontrem até o que não estavam procurando, como Wolf encontrou, como eu encontrei. Obrigada, Lori Lansens, seus cinco anos de dedicação à escrita dessa obra valeu a pena! Quero escrever como você quando crescer!

 Detalhes: 322 páginas, Skoob. Compre online: Amazon, Saraiva. Curiosidade: uma das músicas citadas na obra é "Against the Wind" do Bob Seger (que poderia ser a música do Frankie), fica o convite para que ouçam-na clicando aqui

 Por hoje é só, espero que tenham gostado da indicação de leitura. Me contem: já conheciam a autora ou o livro? Arriscam um palpite sobre como e com quem Wolf escapará da montanha? Ah, hoje não teve vídeo no canal, mas logo ele será atualizado, já se inscreveu, né?! Aguentem firme, pois "haverá oscilações" (página 09).


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segunda-feira, 17 de julho de 2017

Resenha: livro "Confissões de um cafamântico", Ricardo Coiro

 Olá pessoal, tudo bem? No post de hoje, venho comentar minha experiência de leitura com o livro "Confissões de um cafamântico", escrito pelo Ricardo Coiro e publicado pela Editora Schoba em 2015.

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 O livro já estava na minha estante há alguns meses, até que veio o Projeto Lendo Nacional e finalmente consegui lê-lo. Já acompanhava o Ricardo pelo Instagram, e estava curiosa para descobrir que confissões alguém que se divide entre ser romântico e cafajeste teria para fazer. A obra reúne crônicas do autor, divididas por temas: saudade, egoísmo, tesão, paixão, morte...

 "Desconheço alguém nesse universo grandioso que não tenha perdido o chão, a cabeça, a pose, e até mesmo a sanidade quando deu de cara com esse tal sentimento com aparência de muralha intransponível e cheiro de fotos velhas. Não existe colete à prova de saudade, nem formas de blindar nossa vida dos estilhaços  daquilo que vai e nem sempre volta.
 Sendo bem sincero, se não quiser esbarrar com a saudade: recuse toda e qualquer alegria que te faça gargalhar até sentir dor nos músculos da barriga, nunca se envolva com pessoas capazes de colorir seus dias cinzas e chuvosos, coma tudo sem sal e sem tempero, não viaje, não saia de baixo do edredom por nada, não beije, nem na bochecha, não faça sexo e, em hipótese alguma, conheça seus avós se a vida lhe der essa oportunidade imperdível." ("Aquela coisa chamada saudade", página 17)

 São crônicas curtas, que podem ser lidas em poucos minutos, mas extremamente bem escritas. O autor desenha com as palavras, consegue passar sentimentos em cada frase. E foi uma leitura que eu gostei demais, sendo impossível destacar uma única crônica como preferida, pois me identifiquei com tantas.

 "Volte logo, pois não sei se suportarei ter tudo arrumado. Vá e volte, antes que eu ache normal ver tudo no lugar e você fora dele." ("Vá, mas não demore para voltar", página 16)

 Confesso que tinha um certo receio de que o lado cafajeste falasse mais alto, mas a "cafajestice" que temos no livro não chega a incomodar.

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 Preciso destacar o capricho da edição da Schoba: a capa é bem bonita e a escolha e combinação das cores e fontes ficou linda. A obra está bem revisada, as páginas são amareladas e a diagramação traz letras, margens e espaçamento entre uma linha e outra com um ótimo tamanho. Há páginas pretas que dividem as crônicas por temas, e cada tema tem seu significado explicado como encontraríamos num dicionário.

 "São Paulo agora pulsa, sem querer, sem poder parar e parece não sentir nada enquanto o relógio marca quatro e dezesseis da madrugada. E, mesmo dentro desse escuro sempre iluminado, percebo que os cortiços do centro precisam de uma mão urgente. Uma mão de tinta. Algumas muitas mãos de gente. Talvez um braço forte que aguente o baque, ou melhor, um corpo inteiro capaz de sobreviver ao choque." ("Padroeiro do egoísmo", página 45)

 Fica a minha super recomendação para quem gosta de crônicas e até para quem não tem o hábito de lê-las, tenho certeza que você gostará de pelo menos uma delas, que desejará grifar várias citações e que se encantará pela escrita desse autor nacional tão talentoso. O Ricardo Coiro escreve para vários sites, e é possível encontrar algumas das crônicas presentes no livro para leitura nesses sites, deixo aqui o link para "Enquanto houver paixão", uma das minhas favoritas (assim como as demais citadas no post): www.entendaoshomens.com.br/enquanto-houver-paixao/.

 "A mesma árvore, cuja espinha dorsal ontem parecia estar prestes a quebrar devido à fúria dos ventos, hoje repousa sólida, cheia de postura e apresenta-me cabelos floridos. É inverno, mas vejo pétalas na copa, pétalas no chão, pétalas dentro de mim. Não preciso mais da primavera, não para sorrir. Posso parar em qualquer estação e sei que lá, onde quer que lá seja, a paixão fará o favor de estar para perfumar meus horizontes." ("Enquanto houver paixão", páginas 78 e 79)

 Detalhes: 125 páginas, ISBN-13: 9788580134209, 2° edição, Skoob. Onde comprar online: site da editora, Submarino.

 Por hoje é só, espero que tenham gostado do post. Me contem: já conheciam o autor ou o livro?


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