Resenha: livro Perdão, Leonard Peacock, Matthew Quick

     Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é "Perdão, Leonard Peacock", escrito por Matthew Quick e publicado no Brasil pela editora Intrínseca. Já adianto que esta será uma resenha cheia de citações do livro, precisava guardá-las e também compartilhá-las!

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     No dia de seu aniversário (não me recordo se de 17 ou 18 anos), Leonard Peacock acorda decidido a pegar a velha pistola de seu falecido avô, matar seu colega de escola e ex-melhor amigo, Asher Beal, e se matar depois.
     Leonard mora sozinho, seu pai fugiu e sua mãe se mudou por causa do trabalho e do novo namorado. Leonard tem poucos pessoas de quem gosta, muitas mágoas e desacredita totalmente num futuro melhor.
     "Essas pessoas que chamamos de mamãe e papai nos trazem para o mundo e, em seguida, não nos acompanham em nossas necessidades ou não nos dão qualquer resposta. No fim das contas, é cada um por si, e eu simplesmente não fui feito para levar esse tipo de vida." (página 149)
     Nem você, nem ninguém, garoto!

     Antes de matar Asher e de se suicidar, Leonard decide se despedir de seus quatro únicos amigos: o vizinho idoso, o colega de escola violinista, a garota cristã de quem ele gosta e Herr Silverman, o professor de alemão que está dando aulas sobre o Holocausto.
     Ao longo de capítulos curtos, acompanhamos esse dia de Leonard, na expectativa de descobrir se será ou não o seu último dia e o que o levou a tomar a decisão de matar seu ex-melhor amigo e se suicidar.

     Comecei a ler "Perdão, Leonard Peacock" logo após terminar "Os 13 Porquês" (Jay Asher). O fato de ter lido dois livros sobre o mesmo tema em seguida, certamente contribuiu para que eu estivesse mais preparada para o segundo, para que entendesse melhor o assunto. O que pode ou não ter tirado um pouco da emoção, não sei dizer.
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* Se me pedissem para indicar qual dos dois é melhor, eu diria para lerem ambos!

     "Ser diferente é bom. Mas ser diferente é difícil." (página 105)

     Leonard é um garoto inteligente, mas que já sofreu muito, tem traumas e poucos bom exemplos em que se inspirar. Ele até tentou procurar, mas não encontrou nada de bom no mundo.
     "Portanto, cada americano é livre para fazer o que quiser aqui neste grande país supostamente livre. Por que não usam sua liberdade para buscar a felicidade?" (página 43)

     Herr Silverman foi o personagem que mais gostei. Seria bom se tivéssemos mais pessoas assim no mundo, principalmente mais professores assim. Ele é diferente, se importa com as pessoas, quer que seus alunos pensem, quero tentar ser uma professora exatamente assim quando me formar.
     "Temos um código de vestimenta bem livre, e ainda assim vocês vestem praticamente a mesma coisa. Por quê? Talvez vocês sintam que é importante não se afastar muito da norma. Será que também não usariam um símbolo do governo se fosse importante e normal fazer isso? Se esse símbolo lhes fosse vendido do jeito certo? Se estivesse costurado nas grifes mais caras do shopping? Se fosse usado por astros do cinema? Pelo presidente dos Estados Unidos?” (página 45)

     Achei interessante o que Leonard disse para a garota que ele gostava, uma garota com valores bem diferentes das dele:
     "E eu meio que admirei você de pé na estação de trem, sozinha, entregando panfletos, tentando salvar as pessoas. Parecia tão interessante quando eu a conheci, e nunca havia conhecido alguém interessante desse jeito. Mas você não é assim na igreja, não há risco em ser cristão aqui, porque todo mundo é cristão também. Aqui você é apenas uma entre muitos, ao passo que na estação de trem você era única. E eu sou do tipo que gosta de pessoas únicas, e é assim que as coisas são, só isso." (página 121)

     No fim das contas, eu gostei de Leonard, mesmo não concordando com algumas atitudes e ideias dele, mas se fosse eu em seu lugar e tivesse passado por tudo que ele passou, crescido numa família sem estrutura psicológica nenhuma, se meu melhor amigo tivesse feito o que Asher fez com Leonard, será que não veria o mundo da mesmo forma que ele?
     "A maioria das crianças sai sem nem mesmo fazer contato visual, embora Herr Silverman tente se despedir individualmente de cada um.
     Isso faz diferença, podem acreditar, mesmo que os superidiotas da minha turma não saibam apreciar.
     Houve dias em que Herr Silverman foi a única pessoa a me olhar nos olhos.
     A única pessoa durante todo o dia.
     É uma coisa simples, mas coisas simples importam." (página 99)

     Me identifico e concordo com esse pensamento de Leonard:
     "Como medir o sofrimento?
     Quer dizer, o fato de eu viver em um país democrático não garante que minha vida seja livre de problemas.
     Longe disso.
     Eu entendo que sou relativamente privilegiado do ponto de vista socioeconômico, mas Hamlet também era, assim como um monte de gente infeliz.
    Eu aposto que existem pessoas no Irã que são mais felizes do que eu — que querem continuar a viver lá, independentemente de quem esteja no poder, enquanto eu sou infeliz aqui neste país supostamente livre e tudo o que quero é deixar esta vida a qualquer custo." (página 84)

     Um conselho para todos os adolescentes (e também para todas as pessoas) que estão passando por momentos difíceis:
     "Apenas aguente como puder e acredite no futuro. Confie em mim. Esta é apenas uma pequena parte de sua vida." (página 105)

     "Perdão, Leonard Peacock" termina de uma forma meio inesperada, fiquei pensando: "Como assim, acabou?". Mas depois de refletir, concluí que o livro retrata o que pode acontecer em um dia difícil, quando chegamos ao nosso limite, e o quanto um apoio pode ser importante num momento desses. A mensagem final é a de que precisamos aguentar firme, não podemos perder a cabeça num dia difícil, amanhã sempre poderá ser melhor.
     Posso falar por experiência própria, mesmo que hoje você sinta vontade de desistir, amanhã as coisas podem estar melhor. Alguns dizem que o fundo do posso é o final, outros dizem que quando se chega ao fundo do posso, o único caminho é subir.

     "Eu sei que você só quer que tudo acabe, que não consegue ver nada de bom em seu futuro, que o mundo parece escuro e terrível, e talvez você tenha razão, o mundo pode ser, definitivamente, um lugar apavorante.
     Eu sei que você mal está suportando.
     Mas, por favor, aguente mais um pouco.
     Por nós.
     Por si mesmo." (página 37)

     O livro tem algumas notas de rodapé com reflexões bem interessantes, as duas que mais gostei:
     41 - Os jovens são como passageiros cegos: simplesmente não veem o que vem pela estrada.
     42 - Você já pensou em todas as noites que viveu e das quais não consegue se lembrar de nada? Noites tão comuns que seu cérebro simplesmente não se dá o trabalho registrar. Centenas, talvez milhares de noites passam sem serem registradas pela nossa memória. Isso não deixa você maluco? Imaginam que sua mente pode ter registrado só as noites erradas? (página 110)

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Gostei dessa contracapa, mesmo sendo uma das ideias tresloucadas de Leonard!

     Eu gosto dessa capa, das cores, do fato de ter apenas letras e nenhuma ilustração. A diagramação é boa, com margens e letras te tamanho bons, as páginas são amareladas.

     Detalhes: 224 páginas, ISBN: 9788580573954, Skoob. Onde comprar online: Americanas, Submarino.

     "Contudo, certa vez depois da aula, quando estávamos conversando, Herr Silverman me disse que, quando alguém se destaca e se mantém em um padrão mais elevado, mesmo se isso beneficia os outros, as pessoas comuns se ressentem, principalmente porque não são fortes o bastante para fazerem o mesmo." (página 93)

     Por hoje é só, espero que vocês tenham gostado da resenha. Alguém aí já leu "Perdão, Leonard Peacock" ou outro livro do Matthew Quick?

     Com este post, finalizo a Maratona de Resenhas: consegui cumprir minha meta e resenhar um livro por dia durante uma semana! Agradeço a todos que me acompanharam durante essa maratona. Pra quem estiver participando da promoção (que vai dar um dos livros resenhados para um dos comentaristas), os comentários podem ser feitos até amanhã. O resultado sai terça-feira.
     Tenham um bom final de semana!



   Este post faz parte da Semana da Maratona de Resenhas, deixando um comentário nele e nos outros posts participantes, você concorre a um dos 7 livros da imagem ao lado.  Leia o regulamento e faça sua inscrição (é só deixar um e-mail para contato no formulário) clicando aqui.



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30 comentários

  1. Agora eu fiquei na dúvida em relação a que livro escolheria: se Os 13 porquês ou Perdão, Leonard Peacock. Acho que não tenho escolha, como você disse, vou ter que ler os dois haha
    Pelo visto, esse livro dá margem a muitas citações, gosto disso, pois anoto todas que acho interessantes ou, dependendo do tempo, anoto a página da citação. E ele parece ser ainda mais reflexivo que Os 13 porquês...
    Interessante é que a capa não me chamava a atenção, mas pensando bem, agora que conheço melhor a história, acho que não caberia mesmo colocar ilustrações.
    Parabéns pelas resenhas, percebi que foram ficando cada vez melhores. Cumpriu bem a sua meta :) E eu acabei conhecendo livros muito bons, acrescentei alguns à minha lista de futuras leituras.
    Bjos

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    1. Oi Ashe, acho Os 13 porquês mais reflexivo que Perdão, Leonard Peacock. Fico super contente que tenha visto uma evolução nas resenhas, obrigada pela visita e comentário.

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  2. Sempre procuro ler livros que são parecidos longe um dos outros, para não ficar comparando. Eu li O lado bom da vida do autor e achei a escrita dele magnifica. Quero muito ler outros livros dele. Esse ainda não sabia do que se tratava, mas achei que deve ser tão bom quanto o outro dele que eu li. Gosto da forma como ele coloca os dramas da vida de uma forma bem simples.

    Blog Prefácio

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    1. Oi Sil, obrigada pela visita e comentário.

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  3. Esse livro sempre me deu muitas expectativas, sempre ouvia falar tanto e tão bem sobre ele que nunca tive nem oportunidade de pensar que ele era pior que perfeito. Depois de conhecer a história, eu fui conhecendo ainda mais sobre e estou louca pra começar a minha leitura. Eu não leio muito, mas quando leio, é pra valer e com certeza o Perdão, Leonard Peacock e os 13 Porquês também estão na minha lista. Imagina se eu ganhasse o concurso, como ia escolher??

    Beijos,
    www.meianoiteequinze.com.br

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    1. Oi Fernanda, obrigada pela visita e comentário.

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  4. Oi Mari,
    Eu ainda não tive como ler esse livro, mas espero poder lê-lo um dia, o mais rápido possível.
    Ao meu ver, parece ser muito intrigante, pois a sinopse já me deixou bastante curiosa.
    Adorei a resenha e as citações!
    Beijos - Tão doce e tão amarga.


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    1. Oi Thamiris, obrigada pela visita e comentário.

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  5. A história parece ser intensa e cheias de mensagens pra nos fazer refletir, pelo que estou vendo. Não conhecia e foi surpreendente o que descobri ao ler a resenha. Não esperava tanta intensidade e profundidade da história. Vou experimentar ler e espero gostar também. Beijos.

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    1. Oi Beth, obrigada pela visita e comentário.

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  6. Olá Mari,ainda não li esse livro,mas já li O Lado Bom da Vida do mesmo autor,e simplesmente amei,acho que é característico dele abordar temas mais intensos,com fatos e frases marcantes,fazendo o leitor refletir sobre a leitura,adorei a resenha e os quotes.Bjos

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    1. Oi Aline, obrigada pela visita e comentário.

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  7. Gostei da resenha. O livro parece mostrar uma lição realmente valiosa. O Mais importante é viver um dia de cada vez, estando com os pés firmes no chão e não esquecendo de sonhar, de acreditar em si mesmo. Apesar de não gostar muito de livro assim, eu daria uma chance pra ele.

    Beijos flor
    http://desconstruindoocaos.blogspot.com.br/

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    1. Oi Andrêssa, obrigada pela visita e comentário.

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  8. olá, Mari!
    Caramba que legal essa estrutura da resenha ficou muito fácil e instiga a querer a ler o livro. Parabéns!
    Já peguei esse livro algumas vezes na livraria e sempre por algum motivo acabo deixando para uma próxima. (mas ainda não desisti vou lê-lo)

    ps: não sei se você responderia mais a indiquei para um tag. ( outubro rosa)
    www.taobomquantopizza.com

    bju's Ju.

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    1. Oi Juliana, obrigada pela visita e comentário.

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  9. Você foi modesta ao dizer que o livro tem "algumas" notas de rodapé, haha.
    Esperava bem mais do final do livro, e, em geral, não me cativou. Acho que Leonard foi um personagem muito forçado, me fez lembrar de algumas histórias de tumblr. Sabe aquela citação "A vida é um mistério. Não perca seu tempo tentando entende-la, só viva."? Alguém deveria ter dito isso pro Leonard.

    Beijão!
    http://porenseetcs.blogspot.com/

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    1. Oi Waleska, são muitas notas de rodapé, né? Obrigada pela visita e comentário.

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  10. Eu queria muito ler Os 13 porquês e Perdão, Leonard Peacock, mas depois que eu finalmente li Os 13 porquês, fiquei na dúvida. Eu não gostei nem um pouco de Os 13 porquês e muitos me falaram que os dois livros são parecidos em certos pontos.
    http://www.vicioemlivros.com/

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    1. Oi Priscila, ambos tem a mesma temática, mas são duas histórias contadas de formas diferentes. Obrigada pela visita e comentário.

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  11. Eu li esse livro e adorei, mas confesso que o final me decepcionou um pouco.
    Sei lá, esperava mais.

    Beijos,
    www.miragemreal.com

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    1. Oi Maria Carolina, também achei o final um pouco abrupto; obrigada pela visita e comentário.

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  12. Oii não conhecia o Livro que resenha maravilhosa ! Fiquei até curiosa pra ler .
    Adorei as fotos do Livro :D
    Curtindo a Fanpage amore ♥
    Beijos ♥ O Melhor de Mim

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    1. Oi Micaely, obrigada pela visita e comentário.

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  13. Não sei muito bem o que achar desse livro. Já vi resenhas positivas e negativas, mas quero ler para ter uma opinião formada. Nossa...todo mundo reclama de algumas atitudes do Leonard...kkkk ele deve ter uns pensamentos bem incômodos, todos fala sobre isso.
    Beijos,
    Monólogo de Julieta

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    1. Oi Paloma, obrigada pela visita e comentário.

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  14. Olha sempre tive curiosidade de ler os 13 porque por conta das resenhas que li durante todo ano de outros blogs e fiquei até com vontade de compra-lo na Bienal, mas eu não tive chance de compra-lo, porque eu nem sabia se iria ter em algum estande. Se teve eu nem cheguei a procurar, porque foi uma loucura. Mas eu ainda tenho vontade de ler, embora eu não esteja numa boa hora para ler livros desse gênero, pois estou mais focada agora nos romances e tenho gostado bastante de tudo que tenho lido. Enfim...Mas eu adorei suas dicas e nem sabia que o autor de um dos livros era o mesmo que escreveu o lado bom da vida. Nem li ainda ele. Só tenho o filme aqui em DVD. Espero gostar também =]

    Se cuida linda e parabens pela sua resenha
    lovereadmybooks.blogspot.com.br

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    1. Oi Silvana, obrigada pela visita e comentário.

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  15. Oi Mari, tudo bem?
    Estou louca para ler esse livro! Já li várias resenhas sobre ele e todas foram bem positivas e exaltaram bastante as qualidades do livro.
    Gosto do tema, apesar de ser recorrente e já ter lido alguns livros com temática semelhante.
    Espero ler em breve e gostar também!

    Beijo :*
    http://www.livrosesonhos.com/

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    1. Oi Maiara, obrigada pela visita e comentário.

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