quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Resenha: livro "A Lista Negra", Jennifer Brown

 Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é "A Lista Negra", escrito por Jennifer Brown e publicado pela Editora Gutenberg em 2012.

 "Meu Deus", pensei. "A Lista. Ele está pegando as pessoas que estavam na Lista Negra." Comecei a andar de novo, só que, daquela vez, era como se estivesse correndo na areia. Meus pés pareciam pesados e cansados; era como se alguém tivesse amarrado algo ao redor do meu peito que me impedia de respirar e, ao mesmo tempo, me puxava para trás. Nick começou a erguer o revólver de novo. (página 66)

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 A história é narrada em primeira pessoa por Valerie, que tem que voltar ao Colégio Garvin, onde cursa o Ensino Médio, após algum tempo afastada. Val estava sem frequentar a escola porque ouve um tiroteio no colégio. Val levou um tiro na perna. Quem atirou nela e em outros alunos foi Nick Levil que também estudava lá e era namorado de Val.

 Provavelmente vocês já devem ter visto alguma notícia de alunos dos Estados Unidos que, por sofrerem bullying, atiram em colegas na escola. É sobre isso que a A Lista Negra fala.

 Val e Nick sofriam bullying no colégio. Val começou a escrever o nome das pessoas que odiava em um caderno, fazendo uma lista negra, Nick viu essa lista e começou a acrescentar nomes. Era uma coisa dos dois. Até que numa certa manhã de maio que parecia ser como todas as outras, Nick entrou no colégio com uma arma e começou a atirar, ferindo e matando as pessoas que estavam na lista, balas perdidas acertando outras ao acaso. Foi horrível. Val tentou pará-lo, levou um tiro na perna, depois disso Nick se suicidou.

 - Muitas pessoas morreram, Valerie. Seu namorado, Nick, as matou. Você tem alguma ideia do porquê? -, perguntou.
 Pensei naquilo. Em tudo o que eu recordara do que tinha acontecido na escola, nunca me ocorreu perguntar a mim mesma o porquê. A resposta parecia óbvia. Nick odiava aquelas pessoas. E elas o odiavam. Era por isso. Ódio. Socos no peito. Apelidos. Risadas. Comentários depreciativos. Ser empurrado de encontro aos armários quando passava. Eles o odiavam e ele os odiava e de algum modo acabou daquele jeito, com todo mundo morto. (página 92)

 No livro, vemos como era a vida de Val antes do tiroteio, conhecemos os dois lados de Nick: o garoto fascinado pela morte e o namorado carinhoso de Val, as agressões que eles sofriam e que faziam com que odiassem algumas pessoas; vemos Valerie tentando lidar com o mundo depois do acontecido, sendo vista como heroína por um lado, como culpada e mentora do ataque pelo outro, como uma garota que precisava de ajuda e como uma garota má. E nem mesmo ela sabe ao certo o que é.

 A verdade era que não conseguia me sentir grata, não importa o quanto tentasse. Em alguns dias, não podia nem mesmo dizer como me sentia. Às vezes triste, às vezes aliviada, às vezes confusa, às vezes incompreendida. E muitas vezes brava. Pior: não sabia com o que estava mais brava, se comigo mesma, se com Nick, se com meus pais, com a escola, com o mundo todo. E tinha a pior raiva de todas: raiva dos alunos que morreram. (página 15)

 Posso fazer uma lista considerável de livros que li e que falavam sobre suicídio, bullying, depressão e luto. Até certo ponto A Lista Negra me parecia com todos esses outros livros, mas ao avançar na leitura, fui vendo o quanto ele é excepcional. Diferente de outras histórias, Val não iria simplesmente encontrar novos amigos ou um novo amor e seguir em frente, A Lista Negra é o mais realista e o mais forte livro que li nos últimos tempos.

 Inicialmente, Val seria uma garota que não estaria na minha turma, até que percebi que ela, assim como Nick e os outros adolescentes, só estavam fazendo o que a maioria dos adolescentes fazem: tentando achar sua turma. E nessa tentativa, fazemos coisas estúpidas, dizemos coisas que nem sempre refletem nossos reais pensamentos, não vemos as coisas como elas realmente são. Val não conseguiu perceber que o que para ela era só uma forma de desabafar, para Nick era um plano. Os pais de Val não conseguiam perceber quem realmente era a filha que tinham, detestei-os em várias ocasiões.

 Val foi minha personagem favorita, desejei intensamente que ela tivesse um final feliz. O Doutor Hieler (terapeuta de Val) também foi um personagem que gostei, se ela tivesse caído nas mãos de alguém menos incrível, não sei qual teria sido seu percurso.

 Poe contou histórias sobre morte. Stephen King contou histórias sobre morte. E nenhum deles estava pregando assassinatos.
 Por isso nem mesmo percebi quando a conversa ficou séria. Não percebi quando se tornou pessoal. Não percebi que as histórias do Nick se tornaram narrativas de suicídio. De homicídio. E as minhas também. Só que, até onde eu sabia, ainda estávamos falando de ficção.
 Quando folheei os e-mails que o detetive Panzella me deu no primeiro dia em que veio me ver, fiquei perplexa. Como não pude perceber? Como não percebi que os e-mails contavam uma história alarmante que teria assustado qualquer um? Como não pude perceber que a conversa do Nick foi da ficção para a realidade? Como não pude ver que as minhas respostas, ainda que fictícias na minha cabeça, fariam com que todos pensassem que eu também estava obcecada pela morte? (página 111)

 Talvez ela, como eu, visse e revisse a cena na cabeça, mais de um milhão de vezes: o professor Kline, o professor de Química, usando seu corpo para, literalmente, escudar uma dúzia de alunos. Ele chorava. Saía ranho do nariz e seu corpo tremia. Ele abriu os braços de um lado ao outro, como Cristo, e balançava a cabeça para Nick, desafiante e, ao mesmo tempo, apavorado.
 Eu gostava do Kline. Todos gostavam dele. Kline era o tipo de cara que iria à sua festa de formatura. O tipo de cara que parava para conversar com você no corredor, não era nada como aquele "olá, jovem", com que o diretor Angerson nos saudava. Kline costumava perguntar: "Ei, e aí? Está andando na linha?". Kline fecharia os olhos se visse você tomando uma cerveja escondido no restaurante. Kline daria sua vida por você. Todos nós meio que sabíamos que ele era capaz disso. Agora, o mundo inteiro sabe que Kline foi mesmo capaz disso. (páginas 46 e 47)

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 É o primeiro livro da Editora Gutenberg que leio. Gostei da capa, que tem algumas áreas em alto relevo. As páginas são amareladas; a diagramação, assim como a revisão, está boa: fonte, margens e espaçamento de bom tamanho.

 Enfim, A Lista Negra é um livro que gostei e que recomendo. Como disse anteriormente, ele se destaca por ter um desfecho mais realista do que outros livros com temática semelhante. Gostaria de ter mais detalhes sobre algumas coisas; com uma história tão forte, o livro poderia ter mais páginas, mas após terminar a leitura com um nó na garganta e lágrimas nos olhos, não poderia dar outra nota para o livro que não fosse a nota máxima. Há pessoas más no mundo, há ódio no mundo, mas isso não é tudo .

 Detalhes: 272 páginas, ISBN-13: 9788565383110, Skoob (média de notas: 4,4/5, minha note: 5/5), leia um trecho. Onde comprar online: SubmarinoAmericanas.

 - O tempo nunca acaba -, sussurrou, sem olhar pra mim, mas mirando minha tela. - Como sempre há tempo para a dor, também sempre há tempo para a cura. É claro que há. (página 179)

 Eu poderia ter escolhido um livro mais alegre para resenhar no último dia do ano, mas a A Lista Negra foi uma das minhas melhores leituras de 2015 e eu super recomendo, então, esse foi o último post de 2015. Desejo a todos vocês um 2016 maravilhoso, melhor que 2015, e que histórias como as de Valerie possam ser cada vez mais apenas ficção.

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15 comentários:

  1. Oi!
    Também li A Lista Negra e foi uma leitura que me marcou muito pelo que a protagonista passou, algo além do bullying, já que ela também sofreu bastante com o pai patético, para dizer o mínimo, que ela tinha. A Valerie é uma das personagens mais fortes que conheço e é impossível não ter empatia 3 desejar que ela fique bem. Ótima resenha.
    Beijos e feliz 2016!
    Andy - StarBooks

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  2. Oi, li o livro em 2013 e tive opiniões conflitantes para com o livro. Gostei muito da premissa da história e da forma como a autora conduziu a narrativa, mas confesso que o final do livro me incomodou um pouco. Apesar disso, acho que estelivro poderia ser uma leitura obrigatória nas escolas hoje porque é tema é pertinente e precisa ser melhor discutido.
    Feliz 2016!
    Meu Amor Pelos Livros
    Beijos

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  3. Estou procurando ler livros com esses temas mais delicados e pesados ao mesmo tempo. Fique sabendo de A Lista Negra e desde então é um desejo ler ele em 2016 sem falta. Poderia ter fechado o ano com um livro mais alegre, mas não poderia ter fechado o ano com um livro mais reflexivo. Adorei a escolha
    -Mari

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  4. Oie!
    Confesso que fiquei super curiosa desde que descobri qual é o assunto abordado no livro. Fico imaginando toda a intensidade que essa história transmite, e tudo o que vou sentir até a última página. Lembro que quando eu vi só a capa, imaginei que era um livro bobinho. Mas assim que li a sinopse, vi que o assunto era muito sério. Muito bom!
    Bjks!
    http://www.historias-semfim.com/

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  5. Sempre que vejo resenhas desse livro eu fico muito curiosa para conhecer essa história de perto, acho bem legal a premissa dela ser 'co-autora' do massacre e como ela terá que lidar com isso, mas sempre que vejo que é em primeira pessoa coloco o pezinho para trás.
    Feliz Ano Novo

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  6. Olha, eu acho que essas histórias que falam sobre bullying são muito válidas e interessantes, afinal é um dos assuntos do momento, dada a importância que isso tem nas nossas vidas. Fiquei bastante dividida, pois a sua resenha me deixou bastante curiosa, mas por outro lado, tenho medo de que seja meio forte para o meu momento atual. Mas acho que vou arriscar e aceitar a sua dica. Bela resenha!

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  7. Amo capas que têm áreas em alto relevo! *-* Tenho vontade de ler esse livro desde que foi lançado, acho a premissa interessante demais. Apertou meu coração saber que você terminou a leitura com um aperto na garganta e lágrimas nos olhos, mas também por isso acho que vou me apaixonar pelo livro, pelo menos ele mostra que no mundo além de ódio e pessoas más temos mais. Fico muito feliz de saber que foi uma das suas melhores leituras de 2015, tomara que eu consiga ler em 2016.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  8. Olá,
    Eu já conhecia esse livro e sempre quis ler. Na verdade sempre quis ler qualquer livro de Jennifer Brown. E Lista Negra é um livro muito bem falado. Inclusive, eu acho o tema muito bem abordado.
    Um feliz 2016!
    Delírios Literários da Snow

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  9. Olá, tudo bem??

    Já ouvi falarem muito sobre esse livro... Espero ter a oportunidade de ler em breve! Como assim é o seu primeiro livro da gutenberg? Ela é a minha segunda editora preferida <33 adorei a resenha!

    XOXO
    Umnovo-roteiro.blogspot.com

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  10. Olá!!
    Também já li alguns livros sobre suicídio e bullying no ano passado e, até agora, o mais surpreendente, na verdade, o que mais mexeu comigo foi Reconstruindo Amelia, que também aborda essa fase da adolescência.
    Acredito que esse livro seja bem forte, percebe-se que mexeu com você.
    Ainda não li A lista negra, mas acho que o livro me chamaria mais atenção se a capa fosse um pouco mais "perturbada" e não tão clara. A capa de trás está bem melhor... mas gostei, vou marcar no skoob!
    bjss
    http://umavidaliteraria1.blogspot.com.br/

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  11. Eu só vejo falar bem desse livro e ainda não sei o por que eu ainda não coloquei ele na minha lista de leituras. Acho que talvez por todo mundo dizer que ele é realista e deixa o leitor com um nó na garganta que eu meio que fugi dele - não estava muito na onda de ler livros mais densos, mas para esse ano eu tenho alguns na lista e vou colocar esse também :)
    Adorei a forma como você falou do livro, me deixou curiosa.
    Beijinhos,
    Lica
    Amores e Livros

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  12. Olá, tudo bem?
    Desde que li 19 minutos da Jodi Picoulti fiquei fascinada com essa temática, pois envolve muito realismo, drama e reflexão.
    Esse livro é um dos que estão na minha lista faz um bom tempo, e como estou em um desafio de letras do alfabeto com certeza vou colocá-lo !
    É triste que tenha que ser escrito livros com tamanha veracidade sobre esse assunto por existir em abundância casos assim, esperamos que em um futuro próximo isso fique apenas na ficção.
    Beijos e parabéns pela resenha.

    Giuliana

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  13. Olha eu vejo muita gente falando maravilhas desse livro
    Eu ainda não o li porque ainda tenho um pouco de receio, ainda mais contendo um tema um pouco forte sabe? Mas eu acho bacana que alguns leitores possam ler, ainda mais se tratando do assunto que trata. Acontece muito disso e acho que isso nos dá um pouco mais de consciência do que pode ocorrer. Espero ainda poder ler para conhecer a estória. Mas não sei quando ainda...hehe

    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/12/resumo-do-mes-dezembro.html

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  14. Oi Maria, tudo bem?

    Tenho bastante vontade de ler esse livro, até comecei uma época quando recebi no LV... mas sabe quando não é o momento certo de ler um livro!? E como eu não acredito em forçar uma leitura... acabei deixando ele para lá nesse momento, mas ainda quero ler.

    Gosto muito desse tema, acho que sempre é importante ser tratado, para as pessoas se conscientizarem que bullying é um tema sério, e pode gerar graves consequências, não apenas para quem sofre, mas para quem comete e quem está ao redor. Atitudes como a do Nick são mais comuns do que imaginamos, ou até do que queremos acreditar. Esse livro parece ser bem intenso, bem verdadeiro, e várias pessoas, assim como você, conseguiram sentir essa conexão com a Val, torcer e sofrer por ela.

    Adoro essa capa e a contra-capa do livro, acho que representa bem a história.

    Desejo para você um 2016 cheio de conquistas!

    Beijinhos,

    Rafaella Lima || Vamos Falar de Livros?

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  15. Oi MJ,
    Quanto tempo.
    A lista negra é um dos livros que está na minha lista de desejados, mas ainda não tive oportunidade de ler. Gosto bastante do tema e os mais realistas que li foram Fale! e Yaque Delgado quer quebrar sua cara.
    É angustiante saber que esse tipo de violência tem tomados proporções enormes, em ambientes que não deveriam a princípio ser hostis.
    Gosto muito de livros realistas e com certeza esse furará fila nas minhas proximas aquisições.
    Adorei a resenha.
    bjs,
    Luana Lima
    http://blogmundodetinta.blogspot.com

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