segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Resenha: livro "Olhe nos meus olhos", John Elder Robison

 Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é Olhe nos meus olhos, escrito por John Elder Robison e publicado no Brasil pela Editora Larousse em 2008.

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 John Elder Robison nasceu com Asperger (uma forma mais branda de autismo), ele só foi diagnosticado por volta dos 40 anos. Olhe nos meus olhos é sua autobiografia, escrita de forma tão cativante que, por muitas vezes, até parece ficção.

 Quando criança, uma frase que ouvia com frequência era: "Olhe nos meus olhos", ninguém entendia o motivo de ele não olhar as pessoas nos olhos, e John não entendia por qual motivo tinha que olhar as pessoas nos olhos.

 "Meus pais levaram um ao outro à loucura, e quase fizeram o mesmo comigo. Por sorte, o Asperger me isolou da maior parte dessa insanidade, até que eu tivesse idade suficiente para escapar." (página 57)

 Por não conseguir se enturmar com outras crianças, era visto como esquisito e estranho. Uma mãe louca, um pai alcoólatra e um irmão caçula (a quem John apelidou carinhosamente de Verme) formavam sua desestruturada família. Família essa que até o levou em psiquiatras, na tentativa de descobrir qual era o problema de John, mas os diagnósticos errados só pioravam a situação. John ouviu da sua própria família coisas que nenhuma criança deveria ouvir.

 "Eu era raramente visto rindo ou feliz, ou cercado por outras crianças. Nunca fui capaz de compreender a razão, mas sabia o que estava perdendo e isso me machucava demais.
 Já que vivi os anos escolares como um garoto marginalizado, o meu pai e os meus professores começaram a fazer previsões sobre o meu futuro. Disseram-me que eu nunca teria capacidade para ser nada na vida. Quando muito, poderia trabalhar num posto de gasolina, ou acabaria na prisão, ou no Exército - isso, se eles me aceitassem (eu jamais me alistaria).
 Eles não perderiam por esperar." (página 35)

 Isso não fez com que ele se tornasse uma pessoa má. Ainda muito jovem, John foi para o lado da música, não para a frente dos palcos, mas para a organização dos espetáculos. Ele tinha um talento todo especial para montar equipamentos e sistemas de som. Graças a isso, na década de 70, ele foi o responsável pelas guitarras com efeitos especiais da banda KISS, que soltavam fumaças, luzes e fogos de artifício, coisas fascinantes na época.

 "Sempre achei engraçada essa forma das pessoas agirem. Seria tão incrível assim, a ideia de que eu, sim, eu mesmo, trabalhava com o KISS? Eu só pensava nisso como um trabalho divertido. Alguém tinha de fazê-lo. Por que não eu?" (página 129)

 E isso foi só o começo de sua carreira, que posso dizer que foi brilhante. Na data da publicação do livro, John era proprietário de uma oficina mecânica especializada em restauração de veículos, um de seus sonhos de infância, casado e pai.

 Olhe nos meus olhos entrou para a restrita lista de meus livros favoritos (de 316 lidos, favoritei até hoje apenas 25). Foi uma daquelas leituras em que a gente nem vê o tempo passar, vamos virando páginas e páginas, e ao mesmo tempo ficamos tristes quando está acabando.

 "Um relatório de fevereiro de 2007 do Center for Disease Control and Prevention constatou que 1 pessoa em 150 tem Asperger, ou algum outro transtorno autista." (página 18).

 Que eu saiba, eu não tenho Asperger, mas me identifiquei muito com o autor, com seu jeito de ver a vida e as pessoas; assim como ele, também tenho uma certa dificuldade em dizer ou identificar o que as pessoas esperam que eu diga, dificuldade que venho trabalhando ao longo dos anos. Talvez, a sinceridade ou a forma direta como ele diz as coisas, possa ser surpreendente ou divertida para alguns, para mim foi divertido, e também foi como se eu encontrasse alguém que pensa de forma parecida comigo em alguns aspectos.

 "Paul acreditava que ele deveria sorrir e falar amavelmente conosco, então ele sorria o tempo todo. Eu não confiava nele. Nunca fui muito bom em ler as expressões das pessoas, mas eu sabia que as pessoas sorriam quando estavam felizes. Pois bem, ele não poderia ser feliz o tempo todo. Eu não estava feliz o tempo todo, e nem sequer era feliz na maior parte do tempo. Eu certamente não sorria o tempo todo. Porque ele sorria? Paul não parecia ser viciado em drogas. Devia ter algum problema com ele." (página 161)

 "Ninguém se vira para um rapaz numa cadeira de rodas e diz, 'Rápido! Vamos correr até o outro lado da rua!' E quando ele não pode fazer isso, ninguém diz, 'Qual é o seu problema?' Eles até se oferecem para ajudá-lo.
 Comigo, não existe nenhum sinal externo que indique que tenho uma deficiência conversacional. Então, quando alguém me ouve dizer alguma coisa sem sentido para eles, comentam: 'Mas que sujeito arrogante!' Não vejo a hora em que a minha deficiência seja tão respeitada quanto um cara na cadeira de rodas. E se esse respeito for demonstrado na forma de vagas preferenciais nos estacionamentos, vou adorar." (página 176)

 John Elder Robison é a prova de que para ser feliz, devemos procurar o que nos faz bem, e não viver conforme os outros esperam que vivamos. Não importa o que os outros digam sobre nós, importa o que nós realmente somos. Por mais dificuldades que tenhamos, por mais "grilos" que surjam na nossa cabeça, John Elder Robison nos mostra que é possível ter uma vida feliz.

 O prefácio do livro foi escrito por Augusten Burroughs, o irmão caçula de John. Parece que as traquinagens que o irmão mais velho aprontou com Augusten (como jogá-lo num buraco) não diminuíram o amor entre eles. Augusten Burroughs também escreveu um livro sobre parte de sua vida: Correndo Com Tesouras - Memórias de Um Adolescente e Sua Família Muito Louca (se alguém tiver lido, me diz se é bom).

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 Gostei bastante da capa, apesar da expressão de sofrimento do menino fofo. As cores utilizadas na capa, contracapa e orelhas combinaram bem. A diagramação está ótima, com tamanhos bons de margens, fontes e espaçamento; as páginas são amareladas.

 O Asperger não tem cura, mas se a criança com Asperger crescer num ambiente acolhedor, onde suas necessidades e diferenças sejam entendidas, ela pode ter uma qualidade de vida melhor, sem passar por todo o sofrimento que John Elder Robison teve que passar.

 Olhe nos meus olhos é um livro inspirador, uma leitura que recomendo para todos, principalmente para aqueles que querem entender um pouco mais sobre o Asperger e para aquelas pessoas que se sentem tristes por serem diferentes ou que não acreditam em sua capacidade. Como disse, é uma autobiografia que até parece ficção, então, esqueça qualquer preconceito que você tenha com o gênero, pois é uma leitura cativante e fluida, onde você fica mais curioso a cada página para descobrir o próximo capítulo da história de John. Recomendado também para os fãs do KISS ou para quem simplesmente procura uma boa leitura.

 O único problema do livro, é que ele não é fácil de se achar para comprar online; se você o encontrar em alguma biblioteca, livraria, sebo ou até mesmo na estante de um amigo, aproveite! Pegue emprestado, compre e leia, pois vale muito a pena.

 Detalhes: 255 páginas, ISBN: 9788576352815, Skoob, blog do autore-book em inglês na Amazon.

 Por hoje é só, espero que vocês tenham gostado da resenha. Alguém aí já conhecia o livro ou o autor? Já viram vídeos antigos de apresentações do KISS, onde o talento de John Elder Robison se faz presente? Conhecem alguém com Asperger?

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17 comentários:

  1. Que livro foda! Acho que todo e qual livro que relate o Asperger merece ser lido.


    Beijinhos, Helana ♥
    In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

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  2. A capa já é tocante. Não conhecia o livro, mas já achei a história incrível.

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  3. Adoro assuntos assim <3 Fiquei super curiosa para a leitura, querendo saber mais. *-*

    http://versificados.com.br

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  4. Oi, tudo bem?
    Não conhecia o livro nem a história do John Elder Robison, mas fiquei curiosa principalmente por ser uma história de superação e por dar oportunidade ao leitor de através dessa leitura conhecer um pouco da realidade de quem tem asperg.

    Beijos :*
    http://www.livrosesonhos.com/

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  5. É um livro curioso e bem interessante, não conhecia e fiquei profundamente curiosa. Acho que é a primeira vez que vejo essa obra e o assunto, principalmente pelo protagonismo, muito interessa.

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  6. cara, eu tenho o livro correndo com tesouras mas ainda não tive a chance de ler... xD
    Sobre essa bio, parece interessante, apesar de não conhecer o 'protagonista'... com relação à capa, algo não me agradou, e não sei definir o que é rs mas leria de boa, e se tiver oportunidade, não deixarei escapar...
    bjs

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  7. Olá, tudo bem?
    Ai, guria. Adoro livros com esse tema, sabe? As pessoas acham que pessoas que tem autismo ou asperger não tem capacidade de fazer nada. Eu tenho três primos (dois de segundo grau)com autismo e posso dizer que eles são incríveis. Um deles tu vê e não diz que ele tem alguma coisa.
    Esses dias eu estava vendo vídeos no youtube e em um deles tinha um livro que falava sobre asperger. Um menino comentou que quem tinha asperger não fazia nada, aí vem um menino com asperger e responde que ele sabe fazer tudo ou mais que qualquer pessoa pode. :')
    Com certeza eu leria esse livro!
    Beijos <3

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  8. Pela capa sentimos uma certa apreensão, não me pareceu que o livro tratasse do que foi descrito na resenha e sim o completo oposto, mas você conseguiu me fazer ficar muito interessado na obra e já a quero!!

    Abraços e até!!

    lendoferozmente.blogspot.com.br

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  9. Quero muito ler esse livro, gosto dessas histórias profundas. Amei a resenha.

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  10. Gosto de livros assim, de histórias inspiradoras. Depois que assisti o filme ADAM, por sinal indico, que também fala sobre Asperger, eu me senti muito mais próxima das pessoas diagnosticadas e até mais empática em relação a elas. Com certeza esse livro me acrescentará muito. Parabéns pela resenha.

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  11. Adoro livros com essa abordagem!! Asperger + família destrutiva + infância traumática deve dar um resultado e tanto! Imagino que seja um livro forte, inspirador e o mais interessante: é uma história real. Adorei sua resenha e adorei saber mais sobre o livro. Se vir por aí, não tardarei a adquirir.
    Beijos
    http://umaleitoravoraz.blogspot.com.br/

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  12. Achei o livro bem interessante, mesmo não sendo o meu tipo de leitura. Gosto do tema que ele aborda e acho que vou dar uma chance, tomara que eu goste da narrativa.

    laoliphant.com.br

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  13. Olá, tudo bem?
    Achei esse livro muito interessante! Gosto de livros que tratam do tema Asperger/Autismo. Acrescentei na minha lista de desejos.

    Beijos,
    Leo
    http://www.segredosentreamigas.com.br/

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  14. Está ai um livros que foge da minha rotina e eu leria com toda certeza.
    Achei bem interessante a vida do autor, mas não conheço muito sobre o Asperger (nem conhecia esse termo).
    bjs, bjs

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  15. Oiiie
    Nossa, não conhecia o livro mas quero muito ler depois de ver sua resenha, eu curto muito livros com temas sérios assim, acho legal para discussão e com certeza vou procurar por esse

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  16. Esse livro com certeza seria algo que eu leria, a história dele é tocante e achei incrivel isso porque lendo o livros alguns podem sentir algo próximo do que alguém com autismo sente.

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  17. Oii!

    Não sei se irei ler esse livro. Ele não me chamou muito a atenção, mas muitas pessoas dizem que ele é ótimo.
    Vou pensar ainda se irei ler ^^
    Parabéns pela resenha!

    Beijos, Amanda
    www.vicio-de-leitura.com

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