Resenha: livro "A jogada do século", Michael Lewis

 Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é "A jogada do século", escrito por Michael Lewis e publicado no Brasil pelo Selo Best Business da Editora Record.

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 "Depois disso, algo mudou em Eisman, porque ele parou de procurar briga e começou a buscar um entendimento maior. Perambulou pelo cassino de Las Vegas incrédulo diante do espetáculo à sua frente: sete mil pessoas, e todas pareciam encantadas com o mundo em que viviam. Uma sociedade com profundos e graves problemas econômicos que manipulava dados para disfarçá-los, manobras cujos principais beneficiários eram os intermediários financeiros. Como era possível?" (página 191)

 Confesso que decidi ler o livro por ter um filme bastante comentado baseado nele ("A grande aposta", que eu não assisti), pela capa que chamou minha atenção, e também por gostar de me arriscar a ler coisas diferentes, como um livro sobre uma crise econômica.

 Em "A jogada do século", Michael Lewis pesquisou e veio contar "a história do colapso financeiro de 2008", que se originou nos Estados Unidos e acabou afetando outros países. Além disso, Michael apresenta a história de algumas pessoas que perceberam que a crise viria e encontraram uma forma de ganhar milhões com essa percepção.

 Tentando explicar muito resumidamente o que aconteceu: bancos financiavam casas para pessoas que não tinham condições de pagar, transformavam esses financiamentos de longo prazo em títulos que poderiam ser vendidos para outras empresas, e quando ninguém mais queria comprar esses títulos por serem empréstimos de alto risco, eles eram maquiados para que os riscos parecessem menores e assim eram vendidos; além disso ainda havia os seguros desses empréstimos e os juros.

 "Era como se as regras financeiras básicas tivessem sido suspensas em resposta a problemas sociais. (...) para manter a ficção de que eram empresas lucrativas, elas precisavam de cada vez mais capital para criar mais e mais empréstimos subprime". (página 36)

 O fato é que ninguém parecia interessado em saber se as pessoas teriam ou não condições de pagar esses empréstimos (bem que algumas pessoas tentaram avisar), o que as financeiras queriam era fazer mais e mais contratos do tipo, para ter mais "mercadoria" para vender.

 Chegaria uma hora em que as pessoas não conseguissem mais pagar seus financiamentos (entre outras coisas, por causa dos juros), e o sistema ia ruir. As pessoas perderiam suas casas, o que não seria um prejuízo milionário para cada uma delas, mas quem tivesse comprado esses financiamentos transformados em títulos ia ter que arcar com prejuízos enormes, só que ninguém pensava nisso, ou quase ninguém: pequenos grupos de pessoas, alguns com experiência na área, alguns com uma inteligência elevada e alguns sortudos, perceberam o que estava acontecendo e decidiram apostar contra o sistema, tentaram prever quando a quebra aconteceria e apostaram todas as suas fichas para ganhar milhões!

  "A jogada do século" tem uma linguagem relativamente complicada para quem não se interessa ou não gosta de economia, mesmo que o autor tenha suavizado algumas coisas, ainda há alguns termos que podem dificultar a compreensão do leitor desabituado ao tema no início. Mas o que me fez querer continuar lendo (e creio que o mesmo tenha acontecido com outros leitores), foi o fato de a situação parecer tão absurda, com um cheiro tão forte de fraude, que eu queria ler mais um pouco e ver as grandes instituições financeiras quebrando a cara, para ver se aprenderiam a ser menos gananciosas e a parar de tratar a vida de milhares de pessoas como se fossem brinquedos, além da curiosidade de saber se os que apostaram contra o sistema iriam se dar bem ou não.

 "Os vendedores de títulos diziam e faziam qualquer coisa sem medo de serem denunciados a alguma autoridade. Os negociantes de títulos poderiam explorar informações privilegiadas sem se preocupar se seriam pegos ou não. Os técnicos em títulos poderiam sonhar com valores mobiliários cada vez mais complicados sem se preocupar muito com regulamentação governamental - motivo pelo qual tantos derivativos haviam se originado, de uma forma ou de outra, dos títulos." (página 88)

 "Ou seja, como os bancos de investimento de Wall Street de algum modo enganaram as agências de classificação para que abençoassem pilhas de empréstimos ruins; como isso permitiu o empréstimo de trilhões de dólares a cidadãos comuns; como estes obedeceram satisfeitos e contaram as mentiras necessárias para obter os empréstimos; como a máquina que transformara os empréstimos em títulos supostamente sem risco era tão complicada que os investidores pararam de avaliar os riscos; como o problema tinha crescido de forma que o final tendia a ser cataclísmico e deixar profundas consequências sociais e políticas." (página 288)

 Mudando um pouquinho de assunto, vocês sabem que agências de classificação de risco rebaixaram a nota do Brasil recentemente, né? Será que ainda se deveria confiar nessas agências depois do que elas fizeram (ou deixaram de fazer) na crise de 2008? Ou será que elas melhoraram depois de 2008?

 Num geral, eu gostei do livro, foi uma leitora mais rápida e ágil do que eu imaginava, mas que me fez ter que prestar bastante atenção para não perder o fio da meada. Não tenho vontade de ver o filme, pois só de ler a sinopse me pareceu ter personagens bem diferentes do livro, o que é compreensível por se tratar de uma história real e de um tema que inicialmente não parece muito adaptável, mas foi justamente na hora da escolha de como apresentar e do que mostrar sobre os personagens que Michael Lewis  fez a sua grande jogada, tornando a leitura possível e interessante para todo tipo de leitor: Michael faz com que Eisman, Danny, Vinny, Burry, Charlie e os demais apostadores contra o sistema se tornassem interessantes para mim, por suas personalidades, histórias de vida e bom humor.

 "Quando eles viram que Lippmann havia colocado Eisman bem ao lado do idiota, tanto Danny quanto Vinny pensaram a mesma coisa: 'Essa não. Isso não vai acabar bem'. Eisman não ia se conter. Ele descobriria que o cara era um idiota e deixaria isso claro. E depois, o que aconteceria? Eles precisavam de idiotas; somente os idiotas assumiriam a outra ponta de suas operações. Eles queriam continuar operando. 'Não queríamos que todo mundo soubesse o que estávamos fazendo', disse Vinny. 'Éramos espiões em uma missão em busca de fatos.' Eles observavam Eisman mergulhar seu edamame duas vezes no molho de soja comunitário - duas, três, quatro vezes - e esperavam o momento em que o negócio iria explodir." (página 174)
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Passa para cá minha estrelinha então, rsrs! Há algumas notas de rodapé no decorrer dos capítulos.

  Sobre a parte visual: a capa nova, adaptada do cartaz do filme para essa terceira edição lançada em 2016, ficou bem mais bonita que a capa da primeira edição. As páginas são amareladas, a diagramação tem margens, espaçamento e fonte de bom tamanho. Não me lembro de ter encontrado erros de revisão, e tenho que comentar que os títulos de cada capítulo são super criativos.

 "A CDO era, na verdade, um serviço de lavagem de crédito para os residentes da classe média baixa norte-americana. Para Wall Street, era uma máquina que transformava chumbo em ouro." (página 100)

 Por hoje é só, espero que vocês tenham gostado da resenha. Fica a dica para quem quiser entender melhor o que aconteceu em 2008, e a sugestão para que vocês sempre procurem variar as leituras de vocês, que se arrisquem a ler algo diferente e que possa ampliar a forma como vocês enxergam o mundo. Me contem: quem aí já conhecia o livro ou viu o filme?

 Detalhes: 318 páginas, ISBN-13: 9788576845058, Skoob. Onde comprar online: Submarino (edição antiga), Saraiva (edição nova).


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3 comentários

  1. Primeira resenha que eu vejo desse livro. Eu assisti o filme mas não li o livro ainda. Gostei muito por que realmente dá uma noção maior do que realmente aconteceu. Recomendo pra todos também.
    Adorei o Blog.
    Beijos

    https://quantomaislivrosmelhor.blogspot.com

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  2. Gostei imenso do blog, embora não conheça bem o conteúdo...obrigada bj

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  3. Muito bom, deu a impressão de que você não tem doutorado em economia mas compreendeu perfeitamente o que o livro quis passar, em outras palavras, uma visão simples mas bem ampla sobre o tema.

    Parabéns, me fez querer comprar o livro!

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