domingo, 19 de fevereiro de 2017

Resenha: livro “Não há tempo a perder”, Amyr Klink, em depoimento a Isa Pessoa

 Olá pessoal, tudo bem? No post de hoje, venho comentar sobre a minha experiência de leitura com o livro “Não há tempo a perder”, um depoimento de Amyr Klink a Isa Pessoa, publicado em 2016 pelo Selo Foz da Editora Tordesilhas.

Resenha: livro “Não há tempo a perder”, Amyr Klink, em depoimento a Isa Pessoa

 “Mesmo as ideias mais absurdas podem se tornar factíveis se você se compromete a destrinchar cada pedaço do caminho.” (página 82)

 Como gosto de histórias que tenham o mar como tema ou cenário, e por já ter ouvido falar sobre o Amyr Klink em programas de TV sobre suas viagens marítimas, decidi ler “Não há tempo a perder”.

 Na obra, ficamos sabendo um pouco sobre a vida do navegador, filho de pai libanês e mãe sueca, e da visão (nem sempre positiva) dele sobre o Brasil e os brasileiros; sobre como foi cursar Economia, quando na verdade ele nasceu para o mar; sobre o quanto de preparação há para cada uma de suas viagens (chamar essas viagens de aventura não parece certo depois de conhecer o extenso planejamento que cada uma teve). Conhecemos também casos que se tornaram importantes para a área da navegação, histórias de homens que se arriscaram para chegar onde ninguém tinha chegado antes, e de como a tecnologia dos centros de pesquisa e a sabedoria de quem trabalha diariamente no mar tem seus saberes e importância.

 “Num barco a velas, o normal é você ajustar a área velica à intensidade do vento e à velocidade. Se o vento aumenta, você diminui a área da vela. Puxa os cabos, desce a vela. Só que os canoeiros usavam o princípio da permeabilidade do tecido – que é um método muito mais sofisticado. Por isso, sempre havia na embarcação uma cuia enorme, para que pudessem jogar água na vela. Se eles queriam andar mais rápido, tornavam o tecido mais impermeável, molhando o pano com a cuia para acelerar. Não existe tecnologia hoje que imprimia essas duas qualidades em um mesmo tecido – permeabilidade e impermeabilidade. Você precisa trocar de pano para escolher um ou outro atributo. É genial – os mestres maranhenses conseguiram tornar a vela permeável e impermeável, de forma simultânea, administrando o uso da água no tecido em função do vento. Uma sabedoria e tanto.” (página 112)

 É não ficção, mas não é uma biográfica. Como está na capa, é uma espécie de depoimento do Amyr, sobre a forma como ele vê o mundo e o seu trabalho, para a Isa Pessoa; há também trechos de depoimentos de conhecidos do Amyr sobre ele e sobre a convivência com ele. 

 Como o Amyr também é palestrante, o livro, em certos momentos, tem um ar de palestra. Eu ainda não tinha lido nenhuma obra nesse estilo, e no início o ritmo extremamente rápido, parecido com um monólogo, como se realmente não houvesse tempo a perder situando o leitor sobre quem eram os “personagens” e sobre qual era o “cenário da história”, me causou alguma estranheza, mas conforme fui lendo, tornou-se uma leitura interessante. Acredito que quem já tiver lido algum outro livro do Amyr certamente vai aproveitar melhor a leitura. Reforço o aviso: não espere uma biografia, espere conhecer um pouco da visão que o Amyr Klink tem da vida. Uma visão que, em muitos momentos, é totalmente diferente da minha.

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 A edição tem uma capa chamativa, com o nome da obra em relevo (ou seria verniz localizado?). As páginas são amareladas. A revisão está boa. Há muitas fotos em preto e branco. As margens, a letra e o espaçamento entre uma linha e outra são relativamente grandes, o que contribui para uma leitura rápida, especialmente por não ser um livro longo.

 “A tendência é que a pessoa que ascende a uma posição de liderança se torne prepotente. Esse talvez seja o maior risco. Por mais habilidades intrínsecas que você tenha para comandar processos, trabalhar em igualdade é uma virtude ainda rara. Demonstrar uma dose importante de humildade – cedendo, ouvindo mais do que mandando, decidindo a partir do que ouve, conhecendo o processo da esfera de quem reclama – pode tornar o líder mais habilidoso e eficaz.” (página 50)

 Detalhes: 216 páginas, ISBN-13: 9788584190461, Skoob. Onde comprar online: loja da editora, Submarino.

 Por hoje é só, espero que vocês tenham gostado post. Fica meu agradecimento à editora Tordesilhas por ter enviado um exemplar para resenha. Me contem: já conheciam o Amyr Klink?

Até o próximo post!

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6 comentários:

  1. Oii! Sua resenha está ótima mas não é um livro que me atraiu :(

    Oii!
    Gostei da sua resenha! Nunca li um romance de época então não sei dizer se eu gostaria ou não. Vou deixar o sorteio pra quem gosta mesmo!

    Beijos,
    Natália.

    www.doprefacioaoepilogo.blogspot.com.br

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  2. Olá, Maria.
    Eu conhecia o nome, mas não sabia de quem se tratava. Acho que não leria esse livro porque prefiro ler ficção. Mas vou repassar a dica para uma amiga que ama esse tipo de livro. Não lembro de ter lido algum livro assim, com esse tipo de narrativa também não.

    Prefácio

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  3. Oi, Maria...
    Apesar de conhecer sobre a história de Amyr, nunca me interessei de fato em me aprofundar nela...
    Mas achei interessante a maneira como o livro foi estruturado, mais parecendo um depoimento...
    Bjs...

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  4. Oiê, biografias não são meu gênero favorito (sei que você falou que esse livro nao é exatamente uma biografia haha). Mas, as vezes, eu até me rendo a elas, quando se trata de uma pessoa que eu admire ou que tenha vivido em uma época conturbada como a segunda GM. Mas, não me interessei muito pela historia do Amyr, acho que não curtiria muito o livro.
    Beijos

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  5. Nunca havia lido um livro do Amyr, e somente o conhecia pelo que via na televisão ocasionalmente. Ontem, participei de uma palestra com ele, e tudo mudou. Na minha opinião, todos deveriam ler este livro ou assistir a uma palestra do Amyr. A maneira com que ele enxerga a nossa vida (especialmente a vida em sociedade) é simples, humilde e desapegada. Ele nos faz refletir sobre o que é realmente importate na nossa vida, indo além das preocupações fúteis do dia-a-dia, e nos mostra que não devemos perder tempo, que é preciso ter coragem para atingir objetivos que possam parecer impossíveis, e que somos melhores com menos. O importante, de fato, é SER, e não ter. Uma história de vida marcada pela superação, por uma mente aberta, pela aceitação das dificuldades como parte do processo de aprendizado, e por descobertas que vão além do que estamos acostumados a chamar de "sucesso". Excelente.

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    Respostas
    1. Olá, obrigada pela visita e comentário.

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