terça-feira, 21 de março de 2017

Entrevista com Paulo de Castro, autor do livro "O androide"

 Olá pessoal, tudo bem com vocês? No post de hoje trago uma entrevista com o escritor mineiro Paulo de Castro, autor do livro "O androide" que foi resenhado recentemente. "O androide" se passa em uma época onde os robôs exterminaram os humanos, mas um androide (JPC-7938) resolve tentar recriar a raça humana, com a ajuda de OPR-4503 e NCL-6062. Porém, alguns outros robôs tentaram atrapalhar a jornada de JPC-7938. O resultado disso tudo é uma leitura daquelas que a gente não quer largar! Para conferir a resenha, acesse: "O androide", Paulo de Castro.

256 páginas, ISBN-13: 9788542808124, Skoob, Curta a página no Facebook, Onde comprar online: SubmarinoSaraivaAmazonSinopse: "Percebeu que se, de fato, um Deus que zela pelos humanos existisse, não designaria uma máquina para ser o profeta. Esse Deus, ora cruel, ora misericordioso, nem ao menos permitiria a própria extinção dos seres humanos. Poderia a máquina ser esse Deus, dando vida de novo aos homens?". Esse e outros sinais elétricos varriam o pro­cessador de JPC-7938 com velocidade sobre-humana. Processava uma infinidade de outras informações ao mesmo tempo, o que diminuía ainda mais a energia da sua bateria. Talvez era isso mesmo que ele quisesse, para consumar de uma vez o que já estava fadado ao fracasso. Sua bateria durou quatro horas até o desligamento completo. Nessas intermináveis horas, em que não via nada além da densa neblina, que ofuscava o céu azul, cercado de nuvens brancas, percebeu que tudo não passava de coincidência. Que o planeta fora criado, de fato, ao acaso, e que não havia um destino ou uma missão a ser cumprida; apenas a existência, até o inevitável dia do fim.

 Confira meu bate-papo com o autor:


 1. Nos fale um pouco sobre você.

 Eu sou uma pessoa tranquila, que gosta muito de ler, assistir filmes e comer chocolate. Sou bibliotecário há mais de dez anos e, há um ano me tornei escritor.

 2. Como surgiu a ideia para "O androide"?

 Eu sempre gostei muito de ficção científica, tanto na literatura, quanto no cinema. Apesar do livro “Eu, robô” apresentar uma visão muito otimista da relação entre homens e robôs, juntos, em prol do progresso da humanidade, isso não se reproduz no cinema. E eu assistia a esses filmes e sempre me perguntava o que aconteceria se houvesse mesmo uma revolução das máquinas. E o pior, como seria o nosso planeta sem humanos para habitá-lo. Os robôs continuariam nosso legado? Foi aí que eu resolvi começar a escrever.

Foto cedida pelo autor.
 3. Comentei na minha resenha que as sentinelas (máquinas que, na história, perseguem os que representam algum risco ao sistema) me lembram o Sabujo, o cão mecânico do clássico Fahrenheit 451, do Ray Bradbury, que tinha uma função semelhante. Clássicos distópicos ou de ficção científica são uma fonte de inspiração para você? Quais os seus livros preferidos ou que você acha que todo mundo deveria ler?

 Sim. Livros de ficção científica são uma tremenda fonte de inspiração. Sempre! Apesar de não ter lido Fahrenheit 451 – mas já está anotado aqui – fiz referência ao “1984” de George Orwell. O H1N1 é uma homenagem ao Big Brother (Grande Irmão). Posso dizer que o “Eu, robô”, do Isaac Asimov também me influenciou. Para dizer a verdade, não havia lido o livro quando comecei a escrever, mas conhecia as três leis da robótica. Durante o trabalho de pesquisa para “O androide” eu cogitei lê-lo, mas desisti. Como o tema era muito parecido, achei que poderia me influenciar. Li depois que entreguei o manuscrito para a editora. O legal é que eu achei que havia muita coisa parecida.

 Bom, com relação às indicações de livros, dos meus preferidos, além dos já citados, acho que todo mundo deveria ler o: “Admirável mundo novo” do Aldous Huxley. Também vou recomendar todos os livros do Saramago, principalmente: “Ensaio sobre a cegueira”, “O homem duplicado” e “As Intermitências da Morte”, cuja classificação como ficção científica não seria muito forçosa.

 4. Uma coisa que eu fiquei curiosa para saber, foi como você escolheu os nomes para os personagens, especialmente para os androides?

 Os personagens foram inspirados nos carros que tive e batizados com suas placas. Como JPC foi a placa do meu primeiro carro, sua inscrição deu nome ao personagem principal da trama.

 5. Algo que me agradou bastante, foi o fato de a história se passar em boa parte no Brasil, algo que muitos autores nacionais não fazem, achei super bacana ver como estaria nosso país sem humanos. Me conte um pouco sobre como foi fazer essa ambientação em terras brasileiras.

 Eu também já notei isso. Não só os lugares, como também os nomes dos personagens. Acho que deve ser mais chique uma ficção científica que se passa em New York, com um herói chamado John. No entanto, eu me sentia mais à vontade em escrever uma estória que se passasse no Brasil. E acho que bom assim.


 6. Demorou muito tempo desde a ideia da história surgir, até "O androide" terminar de ser escrito?

 O meu processo de criação é longo, muito longo. A ideia deve ter me surgido em 2000, eu acho, com o primeiro Matrix. Diante do filme, pensei: e se não houvesse mais humanos. Fiz um resumo na época, com a ideia principal e arquivei. Em 2014, quando decidi escrever um livro, minha ideia era começar com outra estória, sobre viagem no tempo. Mas sentia que “O androide” queria sair e não recusei o chamado. Completei o resumo e depois parti para o livro. Quando tinha terminado a primeira versão, sentia que o tempo estava passando diferente para cada personagem – e realmente estava. Por exemplo, se havia dois acontecimentos: um assassinato e uma revolta, para uma personagem passavam-se dois anos de um evento para outro, enquanto para outra personagem passavam-se duas semanas (risos). Resolvi então fazer uma planilha – com o nome das personagens e os acontecimentos – para calcular todos esses intervalos, datas e idades. Não vivo mais sem essa planilha (risos).

 7. Você encontrou dificuldades para publicar seu livro?

 Sim. No começo é bem complicado. Você recebe muitos “não” de várias editoras. Pensa em desistir e tal. E todo o processo é bastante moroso, demora de três a seis meses para a editora dar o retorno sobre o manuscrito. E depois do lançamento, começa outro desafio que é dar publicidade para o livro. O importante é não desistir.

 8. Quais são os seus próximos projetos como escritor? Podemos esperar uma continuação de "O androide"?

 Não. Para mim a estória está fechada, sem possibilidade de uma continuação. Mas acho que essa é uma sensação só minha, pois todo mundo que leu me pergunta isso. Estou escrevendo um atualmente e pretendo lançá-lo em 2018, se tudo der certo; e esse “tudo der certo” possui muitas condicionantes. Vou continuar na ficção científica e a história será sobre alienígenas.

 9. Se quiser, pode deixar um recado para os leitores do blog.

 Espero que todos se interessem pela leitura de “O androide”; e depois de lê-lo, claro, que gostem. O livro foi escrito com muito cuidado e dedicação.

Entrevista com Paulo de Castro, autor do livro "O androide"

 E é isso! Muito obrigada, Paulo, pela entrevista, por matar minha curiosidade (e pelas indicações de leitura!). Com essa sua simpatia com os leitores (além do seu talento para a escrita), com certeza você vai longe!

 Reforço minha recomendação para que leiam "O androide", e fiquem de olho pois volta e meia a Novo Século coloca o livro em ótimas promoções. Por hoje é só, me contem: quem aí já leu "O androide" ou conhecia o autor? Gostaram do nosso bate-papo?

Até o próximo post!

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8 comentários:

  1. Adorei a entrevista, Maria!
    Acho que são oportunidades de conhecer ainda mais a obra e o trabalho do autor.
    Fiquei com mais vontade ainda de ler este livro!
    Já está na lista
    Bjs e parabéns

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  2. O livro parece ser bem interessante! Ficou muito feliz pelos autores nacionais! Não devemos nos prender apenas nos best sellers
    http://b-uscandosonhos.blogspot.com.br/

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  3. Oi, Maria!
    Adorei a entrevista. Parabéns por produzir um conteúdo interessante. Muito bom ver como os blogs literários contribuem para a difusão da literatura nacional contemporânea.
    Abraços
    Blog do Ben Oliveira

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  4. Olá, Mari.
    O livro está na minha lista de leituras e depois dessa entrevista irei passa-lona frente de alguns livros.
    Gostei do fato de saber que não terá continuação, já que estou fugindo de livros com continuidade no momento.
    Essa ideia das placas do carro dele foi genial, super gostei!!!

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  5. Me identifiquei muito com ele. Também adoro comer chocolates. rs Eu adoro essa temática! Acho muito viajada e interessante. Gosto de distopias. Elas me fazem refletir muito sobre a nossa realidade, porque eu vou lendo ou assistindo e traçando um paralelo sobre eles. Devo ressaltar que suas perguntas são bem interessantes e super criativas. E o autor as respondeu de forma brilhante. Parabéns pela qualidade da postagem! Me interessei pelo livro.

    Eliziane Dias

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  6. Gosto bastante e ficção científica futurista e gostei de conhecer mais o autor e sua obra. Achei especialmente bacana o fato dele ter criado os nomes dos personagens das lembranças de seus carros, gostei da criatividade! Espero poder ler em breve!

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  7. Olá... eu recebi este livro do autor para leitura e este mês vou lê-lo. Depois desta entrevista fiquei com mais vontade ainda... o autor parece ser mesmo bem tranquilo e eu quero muito conhecer a sua escrita e a história. Desejo muito sucesso!!! Xero!

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  8. Olá...adorei a entrevista. Não conhecia o autor e seu trabalho, por isso que gosto muito desse tipo de postagem.

    Abraços

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