Resenha: livro "Todas as constelações do amor", Lydia Netzer

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje venho comentar sobre a minha experiência de leitura com o livro "Todas as constelações do amor", escrito pela norte-americana Lydia Netzer e publicado no Brasil em 2017 pela Bertrand Brasil.

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 Vocês já imaginaram como é ser casada com uma pessoa que tem Autismo ou Síndrome de Asperger? Já imaginaram como dever ser para uma mulher ser careca, não ter um único fio de cabelo em nenhuma parte do corpo? Pois Sunny, a protagonista de "Todas as constelações do amor", sabe bem o que é isso.

 Ela nasceu na Birmânia (atual Myanmar), e seu cabelo nunca nasceu, nem seus cílios ou sobrancelha. Mas Sunny usa perucas e nenhum dos seus vizinhos no bairro para onde se mudou há pouco tempo sabe dessa sua característica. Ela é casada com Maxon, que está dentro de uma nave indo em direção à Lua numa missão que pretende começar a colonização lunar. Sunny está em sua segunda gestação, ela já é mãe de Bubber, um garotinho de quatro anos que, assim como o pai, tem Autismo ou Asperger (o nome não é dito durante a leitura). Para completar, a mãe de Sunny está doente.

 Após um acidente de carro, sozinha, em meio à tanta pressão, Sunny repensará se a forma como tem conduzido a sua vida é a mais adequada.

 "Sunny passou a mão na cabeça. Tirara a mãe das máquinas. O filho, da medicação. A si própria das perucas, sobrancelhas, da fantasia de dona de casa urbana. Não podia fazer mais nada para apressar o fim do mundo, mas o fim do mundo se recusava a vir." (página 129)

 Eu não fazia ideia do que encontraria em "Todas as constelações do amor". A capa era bonita, a sinopse interessante, não era muito longo, então decidi solicitar da parceria. E foi uma leitura surpreendente.

 "Memorizou as entonações e as expressões faciais. Sempre conseguia imitar. Era uma réplica impecável, não importava quantas vezes tentasse.
 Talvez, sem o remédio, tivesse expressões faciais suas." (página 129, Sunny sobre seu filho)

 Sunny, a mãe, Bubber e Maxon não são pessoas "comuns", eles tem suas particularidades. Por um bom tempo, Sunny e Maxon tentaram viver como achavam que "pessoas normais" viveriam, morando numa "casa normal", tendo filhos como "pessoas normais", participando de eventos que "gente normal" participa, dando os remédios receitados pelo médico para que o filho se comportasse como uma "criança normal", tentando ser como todos os vizinhos do bairro. Mas seria necessário uma distância da Terra à Lua para que Sunny redescobrisse que todo mundo tem suas diferenças, seus segredos, suas singularidades, suas "esquisitices". Uma das coisas mais emocionantes do livro é a mensagem de que mesmo com todas as diferenças que um grupo de pessoas possa ter, ainda assim é possível nascer a amizade entre essas pessoas, é possível encontrar semelhanças nas diferenças.  Ninguém é tão sozinho ou tão diferente assim. Somos todos humanos, afinal.

 "Ela e Maxon faziam coisas bobas como essa. Como as que as crianças fazem. Ela imaginou que, quando tivessem cabelos e fossem pais, não brincariam de girar cadeiras." (página 74)

 Acho que já li alguns livros com pessoas com autismo/asperger, mas nunca na visão das pessoas que convivem com quem tem essa condição. Era incrível como Maxon era capaz de entender algumas coisas fazendo deduções impressionantes (para quem já leu, refiro-me sobre o episódio da história da caneta), mas em outras ocasiões, era necessário uma extrema sinceridade para que ele conseguisse captar o que era dito. Foi interessante ver como ele foi treinado, não para sentir, mas para conseguir colocar em palavras o que para ele seria muito claro em uma fórmula matemática. Confesso que me irritei com ele em alguns momentos, afinal, como um marido tem coragem de viajar para o espaço e deixa a mulher grávida com o filho pequeno e a sogra no hospital?

 "Lá no céu, no espaço, Maxon fazia rotações conforme o programado. (...) Lembrou-se de como o menino, Bubber, disse-lhe tchau de maneira bastante direta. 'Ti-chau, papai.' Como se permitiu ser beijado, conforme fora treinado, e como Maxon o beijou, conforme fora treinado também. É assim que pais agem, é assim que filhos agem, e é isso o que acontece quando o pai vai embora para o espaço. Como os olhos do menino vagaram em outra direção, contando os tacos no chão, medindo as sombras enquanto os braços seguravam o pescoço de Maxon sem querer deixá-lo ir." (página 17)

 Falando em sogra, um dos grandes medos da mãe de Sunny, era justamente que Maxon não fosse capaz de cuidar da filha e dos filhos do casal, que não entendesse as necessidades da família, que fosse incapaz de fazer Sunny perceber que não precisava fazer qualquer loucura para ser aceita. Outra coisa emocionante da trama é justamente a sensação que tive de que essa mãe poderia descansar despreocupada, pois Sunny e Maxon sempre calculariam os riscos (quem já leu, deve lembrar da cena da ponte).

 Fiquei pensando e pensando se dava quatro ou cinco estrelas para o livro no Skoob, se marcava ou não como favorito. Na contracapa, está que a escrita da autora é poética, e talvez por ter estranhado essa escrita poética no início, essa forma de demonstrar as emoções dos personagens, dei quatro estrelas para o livro ao invés de cinco, mas marquei como favorito e é um dos livros que quero reler assim que possível. Além da escrita, a autora vai e volta no tempo, dos dias em que Maxon foi para o espaço aos dias antes de Sunny nascer, passando por toda a infância e adolescência dos dois, mas isso foi muito bem feito e sem gerar confusão em momento algum, apenas me fazendo amar cada vez mais cada um dos personagens.

 "Ele não falou nada. Abriu o botão da gola e depois o fechou. Já passara por episódios, vários e vários episódios ruins, em que estava mastigando a gola da camisa, então resolveu mantê-la abotoada bem em cima. Não vestia nada de gola frouxa. Nada que desse para mastigar, mesmo que quisesse muito. Podia mastigar um lápis ou as unhas, mas as roupas, não. As roupas, não. Não tinha permissão para mastigar as roupas." (página 149, Maxon)

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livro Todas as constelações do amor, Lydia Netzer (3)

 A edição da Bertrand tem uma capa muito bonita, com título em alto-relevo. As páginas são amareladas. A diagramação traz margens, espaçamento e letras de bom tamanho. Não me lembro de ter encontrado erros de revisão.

 Detalhes: 280 páginas, ISBN-13: 9788528619348, Skoobleia um trecho. Onde comprar online: Saraiva, Submarino.

 Enfim, "Todas as constelações do amor" foi um livro que eu gostei e que recomendo. Uma história sobre aceitação e amor em suas mais diversas formas. Leia, e encanta-se também com a saga de Sunny e Max.

 "É isto que morrer significa: você não termina." (página 236)

 Por hoje é só, espero que tenham gostado do post. Me contem: pela resenha, o que acharam do livro? Já conheciam ele ou a autora?

Até o próximo post!

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9 comentários

  1. Ola!!
    Confesso que nunca li nenhum livro com personagens que tenha Autismo ou Síndrome de Asperger, fiquei imensamente interessa em conhecer a historia da da família da Sunny e gostei muito da mensagem do livro de que mesmo com todas as diferenças, podemos ter amigos e que afinal somos todos humanos, gostei muito da resenha, quero ter a oportunidade de ler!!

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  2. Este livro tem aspectos em sua trama que nos chamam demais a atenção, personagem uma doença tão comum e na literatura até bem pouco falada, e esta relação desse casal que vive um na terra e outra no céu. Creio que seja uma leitura enriquecedora e muito bacana. Esta capa é belissíma mesmo. Já esta na minha lista de desejados!

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  3. Oi ,achei a história do livro diferente!
    Não pelos personagens serem especiais. Mas quando li que o personagem Max está indo a caminho da lua,fiquei imaginando se o gênero do livro seria de ficção científica .
    Mas assim que terminei de ler a sua resenha,parei,pensei ,e percebi que importância tem isso?
    Acho que a beleza da história está exatamente na vida da Sunny e sua família.
    Ela quer ser aceita juntamente com seus filhos e marido. E acredito que no decorrer da história,ela verá que as pessoas precisam aceitá -los como eles são.

    Afinal, ninguém é perfeito!

    Gostei. Parece ser um livro lindo! 💚

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  4. Olá Mari
    Nunca li ou soube de algum livro com esse tema, muito menos com essa forma de abordagem. Pela sua resenha parece ser uma leitura interessante e muito enriquecedora. Como você mesma escreveu, é um livro que trata do amor nas mais diferentes formas.
    Bela resenha.
    Obrigada pela indicação

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  5. Oi, Mari!!
    O livro tem uma estória bem interessante e envolvente. Acho que nunca li nenhum livros que tivesse esse tema de autismo/asperger nos livros. Gostei bastante da edição que está linda demais e das fotos que mostram como esse livro é especial.
    Bjoss

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  6. Mari!
    Deve ser bem complicado conviver com alguém que tem autismo...
    Interesante ver um livro de ficção que além de mostrar a vida do astronauta, traz questionamentos de forma filosóficas e até de aparência física.
    Achei um livro bem diferente e confesso que fiquei interessada.
    “O primeiro passo para a cura é saber qual é a doença.” (Provérbio Latino)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE SETEMBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  7. Olá, tudo bom?
    Adoro livros que aborda uma reflexão de vida, seja um aprendizado ou não - vejo que esta historia é cheio disso. Adorei mesmo a premissa deste livro e gostaria de saber mais sobre como a Sunny lida com essa falta de cabelos e como ela vai reagir ao dizer isso pra sociedade.
    Beijos.

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  8. Conheci essa obra hoje! Ao contrário de você, não curti muito a capa, por isso nem dei muita atenção, mas agora fiquei interessad por essa história que trás protagonistas tão únicas e diferentes de tudo o que eu já vi num livro. Além disso, essa situação que eles enfrentam é bem forte e a Sunny ainda tem muito o que apresentar e ensinar, já que é uma obra reflexiva

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  9. Conheci essa obra hoje! Ao contrário de você, não curti muito a capa, por isso nem dei muita atenção, mas agora fiquei interessad por essa história que trás protagonistas tão únicas e diferentes de tudo o que eu já vi num livro. Além disso, essa situação que eles enfrentam é bem forte e a Sunny ainda tem muito o que apresentar e ensinar, já que é uma obra reflexiva

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