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Resenha: livro "Eu te darei o Sol", Jandy Nelson

 Olá pessoal, tudo bem? Na resenha de hoje, venho comentar sobre a minha experiência de leitura com o livro “Eu te darei o Sol”, escrito pela Jandy Nelson e publicado no Brasil pela Novo Conceito em 2015. Surpreendentemente, a resenha dele foi a mais pedida aqui no blog e no Instagram no post sobre as leituras do mês, então, espero que gostem:

 "O irmão gêmeo destro diz a verdade, o canhoto diz mentiras. (Noah e eu somos canhotos.)" (página 156)

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  "É isso o que eu quero: quero pegar meu irmão pela mão e voltar no tempo, descartando os anos como se fossem casacos que caem de nossos ombros.
 As coisas não acontecem como você imagina.

 Para reverter o destino, fique de pé num descampado, com uma faca apontada na direção do Vento." (página 63)

 Algumas partes são narradas por Noah aos 13 anos, e outras por sua irmã gêmea, Jude aos 16. Vemos no livro como eles, antes, inseparáveis, foram se distanciando com o tempo. Aos 13 anos, os dois passavam pelos complicados momentos da adolescência. Noah era gay mas guardava isso em segredo. Jude se rebelava com a mãe que não queria que ela fosse "esse tipo de menina", uma menina que só pensava em garotos.

 "Não me importo com o fato de não ser tão difícil quanto eu achava fingir ser como todos os outros, mudar a cor da pele como um sapo." (página 130)

 Aos 16, as coisas estão completamente mudadas. Jude não quer de jeito nenhum saber de namoro ou de meninos, e está na escola de arte onde Noah é que sonhava em estudar. Enquanto isso, ele aparentemente tem uma namorada e é um garoto como todo os outros, não mostrando mais seus dons artísticos. O que aconteceu para que esses dois mudassem tanto? É o que vamos descobrindo ao longo da história que nos reserva surpresas até nas páginas finais.

 "Meu estômago revira. A Queda do Diabo, o segundo maior salto na colina, que eles pretendem suar para me jogar, tem esse nome por algum motivo. Lá embaixo há um punhado de rochas afiadas e um rodamoinho que puxa seu corpo todo quebrado para o mundo subterrâneo." (página 12)

 A trama já começa com Noah sendo alvo de bullying por parte de outros garotos, há uma cena desesperadora e revoltante onde eles querem jogá-lo de uma penhasco. Esse foi o segundo livro da Jandy Nelson que li. O primeiro foi "O céu está em todo lugar", que entrou para os meus favoritos. Então, eu estava com expectativas altíssimas para ler "Eu te darei o Sol". Demorei um pouco para me envolver com a história, talvez pela escrita da autora, que usava muito de sentido figurado, um exemplo: "Suas pupilas são enormes cavernas negras onde vivem morcegos." (página 132) ao invés de dizer simplesmente que "seus olhos eram escuros". Mas passados alguns (longos) capítulos, me vi sim cativada pela história e terminei o livro encantada e ainda mais fã da Jandy.

 "- (...) E, por causa dos cabelos dela, uso todos os meus lápis amarelos desenhando-os. Eles têm centenas de quilômetros de comprimento e todos no norte da Califórnia temem se enrolar neles, principalmente criancinhas e poodles e agora surfistas babacas.
 (...) Jude me olha do desenho, ensolarada, sábia. Obrigado, eu lhe digo em minha mente, Ela está sempre me resgatando..." (página 11)

 Os personagens criados pela autora são interessantes, todos eles carregam seus traumas que se interligam de maneiras surpreendentes. Minha curiosidade era enorme para descobrir como Noah não foi selecionado para a escola de arte que tanto desejava e como ele havia "voltado para o armário" e se tornado tão "comum". No início, Jude parece ter sido uma garota que fez coisas horríveis por inveja da relação do irmão com a mãe; depois, aos 16 anos, ela se pune por isso. A "pessoa" mais próxima dela é a avó morta, com quem ela conversa, e que tinha um caderno de sabedorias populares batizado de "a Bíblia da Vovó" (tem mais um  outro fantasma, que só lhe causa problemas [coloquei os trechos da Bíblia da Vovó em itálico na resenha). Mas quando descobrimos mais da história, entendemos que nada é como parece, que há segredos tão profundos nessa história, que quem parece inocente pode ser o culpado.

 "- A Jude e eu nos protegemos um pouco - continua ela. - É preciso muita coisa para nos atingir. Com você e o papai, não. - Isso é novidade. Nunca pensei que fosse parecido com o papai. (...) Sou apenas alguém que 'desenha'. E dói em meu peito o fato de a mamãe pensar que Jude é parecida com ela e eu não. Por que tudo o que eu penso sobre nossa família está mudando? Por que os times estão sendo trocados? Todas as famílias são assim?" (página 289)

 Gostei muito da forma como a autora abordou temas tão importantes na obra, como o conturbado momento de transição da infância para a adolescência, a disputa por atenção entre os irmãos, a relação com os pais, a homossexualidade, e a história de Jude, que passou por algo que muitas garotas passam, na fantasia de se sentirem adultas quando ainda são meninas, correndo o risco de ter sua inocência roubada gerando traumas e arrependimentos.

 "- Ele tem namorada.
 - Você não tem certeza disso. Ele é europeu. Eles têm valores diferentes.
 - Você nunca leu Jane Austen? Os ingleses são mais recatados do que nós, não menos.
 - Uma coisa que aquele menino não parece ser é recatado. - O rosto inteiro dela se contorce numa piscadela. Ela não sabe piscar sutilmente, não sabe fazer nada sutilmente." (página 218)

 Acho que a mensagem que a obra quis passar foi a importância da verdade e de como o nosso egoísmo pode prejudicar muita gente quando achamos que podemos definir como nossa mãe, nosso pai, nossos irmãos ou nossos amigos devem viver em nossa função.

 "Viro-me, lembrando novamente que fomos feitos juntos, célula a célula. Somos a companhia um do outro desde quando não tínhamos ainda olhos ou mãos. Antes mesmo de termos alma." (página 87)

 "Eu te darei o Sol" foi um livro que me fez aprender um pouquinho sobre a Arte, que me despertou diversas emoções, me fez odiar e amar um mesmo personagem na medida em que fui conhecendo-o, e que com certeza vai ficar gravado em minha mente por um bom tempo. Os livros da Jany Nelson são assim, intensos para quem os ama. E se você ainda não o leu, leia com calma, prepare-se para a linguagem poética e cheia de figuras de linguagem e vá até o final, fazendo pausas se necessário.

 "O vermelho mancha meus dedos, o batom dela. Aconteceu mesmo. Todas as pessoas têm esse sabor de laranja estragada por dentro? Eu sou assim? O Brian é assim?" (página 133)

 Não tenho como escolher entre ele e o primeiro que li da autora para indicar, mas meu favorito continua sendo "O céu está em todo lugar". Li "Eu te darei o Sol" na Maratona Literária Desencalhando Livros, pouco depois de "Meu coração e outros buracos negros", e talvez para mim tivesse sido melhor dar um tempo maior entre as leituras de dois young adults com personagens que desenham.

 "Sempre dê o primeiro passo com a perna direita para evitar as calamidades que sempre se aproximam de você pela esquerda." (página 40)

 "Sempre que há gêmeos, um deles é um anjo e o outro um demônio." (página 49)

Resenha: livro "Eu te darei o Sol", Jandy Nelson
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Resenha: livro "Eu te darei o Sol", Jandy Nelson

 A edição da Novo Conceito tem uma capa bonita e condizente com a trama. Há poucos erros de revisão. As páginas são amareladas. A diagramação traz letras, margens e espaçamento de bom tamanho.

 "- Como Noah e eu nos envolvemos tanto em segredos e mentiras?" (página 253)

 Detalhes: 384 páginas, ISBN-13: 9788581636467, Skoob, baixe o primeiro capítulo. Onde comprar online: Submarino clique e compare preços no Buscapé .

 Por hoje é só, espero que tenham gostado do post. Me contem: já conheciam o livrou ou a autora?


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Até o próximo post!

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13 comentários

  1. Oi Mari.
    Eu já li esse livro e gostei bastante.
    O início é mesmo um pouco lento, mas depois a trama torna-se bem envolvente e você só quer descobrir por que os irmãos se distanciaram e o motivo da mudança de atitude de Jude e ver como Noah lida com a sua homossexualidade.
    Vou tentar ler O céu está em todo lugar. Espero gostar bastante!
    Beijos

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  2. Quando eu li esse titulo a primeira vez jurava que se tratava de um romance pra lá de romântico, mas não né. Gostei da maneira como tu fez a resenha que mostrou ser um livro, embora juvenil, com um conteúdo forte e cheio de pontos escondidos. Essa surpresa na resenha me deixou mais interessada do que antes, obrigada!! :D

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  3. Oi Mari! Que resenha mega, super, completa! Adorei! Eu gosto do título desse livro e da capa e é sempre bom ler obras que abordam temas interessantes e que nos façam refletir!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  4. Olá, Maria.
    Eu já gostei muito mais desse do que do outro livro dela. Achei o outro bem fraco se comparado a esse. Mas no quesito edições O Céu esta em todo lugar ganha hehe. A história me surpreendeu muito e amei os irmão com a mesma intensidade mesmo que no começo não tenha gostado da Jude até que li sua parte da história.

    Prefácio

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  5. Mari!
    Um livro que fala sobre o amor entre irmãos e ainda tem a sensibilidade das artes em seu enredo, deve mesmo ser um bom livro.
    Cada leitor entende a leitura de uma forma...ou como digo, de acordo com suas próprias experiências pessoais e isso é o melhor em cada leitura, cada um ter seu ponto de vista.
    Um carnaval de alegria e moderação e bom final de semana!
    “Quer você acredite que consiga fazer uma coisa ou não, você está certo.” (Henry Ford)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA FEVEREIRO: 3 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  6. Olha, vou te confessar que eu não curti esse livro.
    Sim, a escrita é excelente e os personagens são bons, como você disse.
    Porém, eu esperava mais.
    Na verdade, faz um tempão que li e pode ser que lendo novamente a gente mude de opinião.
    Já aconteceu isso com várias pessoas.

    Mas, naquele momento, o livro não foi para mim.
    Infelizmente.

    Abraços,
    Natalia
    http://www.revelandosentimentos.com.br

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  7. Oiê!!
    Que resenha linda!
    Eu tô acompanhando resenhas desse livro desde o lançamento e cada vez mais me interesso em conhecer o enredo não vejo a hora de ter uma oportunidade...
    Bjs!

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  8. Oi Mari!
    O livro parece ter uma história emocionante, e achei interessante tratar dessas mudanças de fase, principalmente se tratando da adolescência. Confesso que também fiquei bem curiosa para saber porque Noah não foi para a escola de arte, e pior, porque tentou esconder que era gay depois de algum tempo ... Deve ser tudo bem marcante!
    Quero mto ler, já está na listinha.
    Beijos

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  9. Este é mais um dos muitos livros parados aqui na estante de casa sem nunca ter sido lido, sniff, sniff. Li O Céu Está em Todo Lugar e amei muito, foi uma história marcante e imaginei que fosse ler Eu Te Darei o Sol logo que ele chegasse, mas não foi isto que aconteceu. Tenho certeza de que irei gostar tanto deste livro quanto do outro, só me falta ler mesmo, rsrs. Eu costume gostar de dramas, sendo eles juvenis ou mais adultos, não importa, drama sempre me ganha.

    Bjss, Vanvan.

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  10. Oi Maria!
    tenho este livro aqui e ainda nao li
    Adorei seu post e agora me deu mais vontade ainda de tirá-lo da fila!
    As fotos ficaram ótimas também.
    Depois te conto o que achei
    Bjs

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  11. Para mim foi impossível não ficar emocionada com a história do Noah e da Judy ainda não li esse livro todo tô terminando ele mas é maravilhoso a história que a autora criou e morro de amores por essa história

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  12. Confesso nunca tive muita curiosidade com esse livro, quando comecei a ler sobre o descortinar da trama fiquei bem interessada, mas durou pouco... Desanimei nos 'longos' capítulos. O sentido figurado nem me assustou tanto, mas se tem algo q me tira a vontade de ler um livro é a extensão dos capítulos. Quem sabe um dia eu dê uma chance, no momento passo.

    Raíssa Nantes

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